domingo, 14 de fevereiro de 2010

SAS empresa do ano. «Fortune» explica

A publicação criadora das «100 melhores empresas para trabalhar» está nas bancas. A revista americana Fortune divulga a empresa SAS (área de software) como a primeira. Um paraíso. Parece mentira. Porém, é mesmo verdade. Obrigatório ver o vídeo
Apresento-lhes a SAS:
«O que nós não fazemos é tratar os nossos empregados como se fossem criminosos», afirma Jenn Mann, vice-presidente do departamento de recursos humanos.

4200 funcionários na sede, na Carolina do Norte, mais cerca de 7000 espalhados por outras regiões, inclusive fora dos EUA. Semana típica de 35 horas, mas a maioria das pessoas fazem o seu próprio horário. A não ser que se trabalhe no atendimento ao cliente, muito poucos se importam se alguém aparece às 9 ou às 11 da manhã.
Mas as condições são tantas que se diz não ser preciso sair da empresa. Há duas creches subsidiadas para 600 crianças, e ainda um campo de férias. Há serviço de limpeza a seco, oficina de automóveis, um jardim para meditação, três cafetarias subsidiadas que servem 500 pequenos-almoços e 2300 almoços por dia, e ainda funcionam como takeway. Uma das cafetarias tem um piano e um músico que aceita sugestões. Mas se se tiver fome fora de horas, há inúmeros free snacks.

Mas a regalia preferida pela maioria dos empregados é o health-care center, que conta com 56 pessoas ao serviço, incluindo 4 médicos, 10 enfermeiras, nutricionistas, técnicos de laboratório, fisioterapeutas e um psicólogo (em part-time para casos de depressão ou ansiedade). Apesar de não ter condições para um transplante de coração, este health-care center funciona como clínica fornecendo cuidados básicos em áreas como a alergia, testes de gravidez e análises ao sangue. Custo? ZERO.

A SAS gasta 4,5 milhões de dólares por ano com o centro, mas poupa 5 milhões por sua causa, pois as pessoas não têm de esperar em filas fora da empresa, nem faltar para ir ao médico.

A um custo muito baixo, ainda se pode usufruir de actividades como ioga, pilates, programas de Inverno para controlo de peso, deixar de fumar, meditação, bowling, dança aeróbica e tantas outra actividades.
A empresa ainda promove actividades extensíveis aos familiares, como seminários cujos tópicos vão da adopção, divórcio, desenvolvimento da criança, etc.
Ah, é bom dizer que cerca de 70% das pessoas que trabalham na SAS aderem a estes programas.

Jim Goodnight, o fundador da empresa em 1976 e que agora detém apenas um terço, começou por criar software de análise de dados na área da agricultura, sobre a produção de colheitas. Hoje, a análise de dados alargou-se para todas as áreas empresariais, e a SAS até é consultada pelo governo americano para identificação de lavagens de capital, etc.

Ao fim de 33 anos sempre a crescer, o retorno da SAS chegou aos 2,3 biliões de dólares em 2009, dobrando o valor de há 7 anos. Mesmo neste tempo de crise e recessão, Jim Goodnight orgulha-se de dizer que os efeitos não foram drásticos. Apenas não houve aumentos de salários. A política é igual para todos os empregados, nos EUA, em África, na Europa ou no Médio Oriente.

Esta cultura organizacional começou com a sua fundação, com a oferta de fruta à segunda-feira, e depois as 35 horas semanais. Em 1984, quando a empresa teve um retorno de 50 milhões de dólares, iniciou a construção da infra-estrutura de saúde e lazer, dando origem à cultura actual. Jim Goodnight diz que «vacas satisfeitas dão mais leite» e assim justifica a aplicação dos lucros na empresa.

Para terminar, ainda lembro que a SAS tem sala de sauna, manicura, kickboxing em piscina olímpica, massagem clássica, massagem sueca, massagem ortopédica...
Não há lugar para sindicato, a média de permanência na empresa é 10 anos, mas cerca de 300 pessoas trabalharam na SAS mais de 25 anos. O turnover anual é de 2%, quando a média na indústria de software é de 22%. Mulheres são mais de 45% dos quadros da empresa e a média de idades da unidade americana é de 45 anos. E não são considerados... velhos.
Uff. Quero ir para lá. Admito que queira também, não é verdade. Se em Portugal houver disto, avisem.