segunda-feira, 29 de março de 2010

Dor organizacional e a síndroma de lapa

À semelhança do que acontece com as pessoas, o mesmo sucede com organizações. Kets de Vries sublinha: «Uma Mudança Organizacional não pode ocorrer sem dor.» E ainda mais quando as coisas parecem estar a correr bem

Entre alguns dos factores externos que podem causar dor nas organizações são as ameaças de competidores, a diminuição dos lucros, a queda de mercados, escassez de recursos, exigências tecnológicas e problemas com fornecedores e consumidores.
Quanto a factores internos, eles têm origem na liderança ineficaz, problemas morais, elevado turnover de pessoal qualificado, absentismo, problemas com protestos, greves, por exemplo, aumento do comportamento político e quezílias insignificantes.

Duas ideias mais complementam a atmosfera de mudança caracterizada por Kets de Vries: a PRIMEIRA é que se as pessoas forem mantidas num ambiente excessivamente confortável, acabam por «adormecer», não estando preparadas para enfrentar ou reagir aos sinais de perigo.
A SEGUNDA é que qualquer projecto de mudança deve ser contínuo, pois a descontinuidade acarreta um preço a pagar muito alto no que respeita a capital humano.

O que deve ser evitado é aquilo a que De Vries (The Leadership Mystique, 2001) chama de Síndroma da Lapa. Um molusco que nada tem a ensinar sobre mudança, já que cedo toma uma decisão para toda a vida. A lapa escolhe um espaço numa rocha e cimenta-se-lhe… para toda a vida. Porém, a lapa tem imensos comparsas no mundo humano, pessoas que se comportam como ela, e que grudam para toda a vida. As consequências organizacionais deste tipo de atitude são devastadoras, ainda mais se a «lapa» é o líder. Exemplos não faltam, empresas que em vários anos caem nos rankings da excelência, da rentabilidade, da qualidade. São empresas com líderes que sofrem da síndroma da lapa. A empresa americana Digital Equipment Corporation caiu, em catorze anos, da 7.ª posição para a 386.