domingo, 28 de março de 2010

Os porquês da resistência à mudança: MEDOS

Já está tudo estudado. Pouco há para concluir. Há livros, há vídeos, há provas. Está tudo escrito. Não há surpresas.

São vários os factores que justificam a resistência por parte das pessoas:
- Perda de segurança na sua actividade diária, pois alteraram-se os padrões até aí mais confortáveis
- Percepção de falta de capacidade de adaptação face a uma eventual mudança que implique reformulação de tarefas ou até novas
- Medo de perder condições de trabalho, como alguma liberdade
- Medo de que a mudança implique perda de responsabilidades e autoridade e, consequentemente, statu, direitos e privilégios
- Medo que a mudança represente uma crítica à sua anterior performance
- Receio que a mudança implique a perda de alianças e de núcleos de interacção mantidos até aí
- Finalmente, medo de perder o emprego ou de encarar uma despromoção
Porém, todos estes medos conduzem a uma resistência continuada que acarretará mais dor, mais perda, mais prejuízo. Atente-se às razões que De Vries invoca face a uma atmosfera de mudança (De Vries, The Leadership Mystique, 2001):

- Temos funcionado sempre assim, e há muito tempo
- Ninguém até hoje tentou isso
- Alguém tentou fazer isso, mas não resultou
- Numa perspectiva teórica, até podia funcionar, mas na prática…
- De um ponto de vista prático, até podia funcionar, porém temo as implicações
- Isso não funciona em pequenas/grandes organizações
- Isso precisa de ser estudado
- Não temos dinheiro / recursos / equipamento / tempo para fazer isso
- Vamos arranjar muitos problemas da parte de…
- Ele é contra isso…
- Não vamos apressar as coisas
- Precisamos pensar muito nisso
- Definitivamente, não é como fazemos as coisas aqui
- Somos diferentes, acho que devemos ficar por aqui

O mesmo autor define como quatro os passos para a mudança:- O choque: A primeira reacção que as pessoas têm quando confrontadas com cenários adversos, sejam eles financeiros, despedimentos, ou de mercado, é a de choque. Neste estádio, as pessoas procuram imediatamente o conforto e as tarefas de rotina.

- Descrença: O passo seguinte é a descrença acompanhada da recusa de aceitação da mudança, que conduz a uma idealização das coisas como eram anteriormente. Nesta fase, a forma de lidar com a situação é a de reacção, em vez de proactividade.

- Desapego: Esta etapa corresponde à do começo da consciência. Há qualquer coisa que terá de passar-se. As pessoas gradualmente começam a desapegar-se dos velhos padrões, iniciando a tentativa de explorar novos formatos.

- Realização / Aceitação: Nesta última fase, a atitude é a de olhar em frente em vez de recordar ou reproduzir o passado. Começam os novos comportamentos a tomar lugar e a tornarem-se naturais.