quarta-feira, 7 de abril de 2010

Máximas decadentes IV

«ISSO É MÁ POLÍTICA!»

Tive um chefe que dizia muitas vezes esta frase, «Eh, pá, isso é melhor não... É má política». E assim continuou sempre. Tudo o que os outros diziam, propunham, sugeriam era sempre «má política!».
Melhoramento de processos de trabalho era «má política!», nos relacionamentos entre colaboradores «era má política!». Enfim, todas as reuniões em que havia participação acabava sempre com um fatídico «é má política!». E às vezes rematava: «Eu depois resolvo, eu é que sou o chefe, não é? Eu é que tenho de decidir.»

Que acontecia depois? Bom, não havia implementação de novas formas de trabalhar. Se existiam eram implementadas por ele próprio, com as suas ideias ou por deformação das sugestões que tinha ouvido. E porquê? Porque fazendo à maneira dele assegurava assim o seu lugar, o seu estatuto. Quando as coisas corriam mal, e corriam sempre, culpava os colaboradores de não terem compreendido bem ou de estarem com má vontade. Pois é, era tudo «má política!» porque para ele tudo se resumia a uma questão de política... de manutenção da sua posição. E a tendência era a de reproduzir comportamentos em vez de gerar novos e procurar o diferente sem... política. 

A empresa entretanto foi vendida, e este chefe perdeu 2/3 da equipa e também o seu gabinete. A «má política!» da sua gestão levou-o a descer na hierarquia da importância junto dos seus pares.