segunda-feira, 5 de abril de 2010

Máximas decadentes I

«NÃO FOSTE PAGO PARA PENSAR...»
«'Tás aqui não é para pensar, é para fazer o que te mandam» / «Não foste pago para pensar»

Ouvi este tipo de frases vezes de mais. Não sei se muitas ou poucas, mas penso que as suficientes... Sempre vindas de... chefes. Mais: percebi também que há os que lembram oral e impantemente este princípio aos seus colaboradores, mas pior ainda é o número avassalador dos que pensam mas não dizem.

Sempre que ouvi estas frases pensei que o meu tempo na empresa estava contado. O poeta Robert Frost escreveu uma vez: «O cérebro é uma maravilhosa máquina, começa a funcionar logo de manhã, quando nos levantamos, e pára assim que chegamos ao trabalho»
Ou então outra de Henry Ford: «Porque é que cada vez que contrato dois braços para trabalhar, eles têm de vir agarrados a uma cabeça?»

O imperativo actual é o contrário deste princípio carcomido pelo tempo. Hoje deve contratar-se pessoas que pensem, opinem, digam ou que sentem e o que querem do e no trabalho. Inovação, criatividade, motivação, inspiração, empenho, interesse, performance, eficácia, auto-estima estão todas ligadas ao «Tu és pago para pensar e opinar».

Se ouvir dizer uma enormidade deste tipo, pense mudar de ares, pois pode estar condenado à tarefa diária, rotineira, repetitiva que o prejudicará no seu percurso profissional, nas suas competências, contagiando até a sua vida pessoal.