segunda-feira, 26 de abril de 2010

Os macacos e o medo nas organizações

O livro de Pilar Jericó, coach espanhola, «Medo Zero», tem um exemplo fantástico sobre o medo nas organizações. Ouvi esta história há uns anos, numa aula de Sociobiologia nos meus tempos de universidade.
Cinco macacos foram colocados numa jaula com uma escada lá dentro, em cujo topo estava um cacho de bananas.
Muito bem, de cada vez que um macaco subia as escadas para chegar às bananas, os investigadores dirigiam jactos de água aos outros quatro elementos do grupo.
Ao fim de algum tempo, a situação mudou, sendo que de cada vez que um dos macacos não resistia à tentação de chegar às bananas, os outros espancavam-no para o impedir.
Após esta primeira etapa, os investigadores substituíram um dos macacos por um novo e logo este se dirigiu à escada. Foi automaticamente espancado e impedido de subir. Após algumas tentativas, o novo elemento adaptou-se ficou quieto.

Os investigadores foram, a pouco e pouco, substituindo os macacos seniores (os que haviam assistido e sofrido a experiência da água) por outros novos que nunca souberam como tudo havia começado. Porém, continuaram sempre a bater naquele que cedesse à tentação de subir as escadas. Porquê?

Nós sabemos, claro. Mas se fosse possível perguntar aos macacos porque faziam aquilo, a resposta seria qualquer coisa deste tipo: «Não sabemos, por aqui as coisas sempre funcionaram desta forma.»

O mesmo acontece nas empresas, com culturas tóxicas e entranhadas, em que os elementos novos se adaptam rapidamente sem poder explicar o porquê. «É assim que funciona.» E assim se desperdiçam recursos, financeiros e humanos. Não há lugar à inovação, ao crescimento, não se premeia a criatividade. O medo impera, e qualquer desvio aos hábitos instituídos é premiado com «castigo».