sexta-feira, 28 de maio de 2010

Dehydrated talk or the importance of the doors open

In the previous post I wrote about doors. Again. Why a big part of the bosses talk like this when the communication is poor: «My office has always the door open». And all we know that is music for our ears.
In her book «Glow», Lynda Gratton writes about the dehydrated talk to illustrate poor communication. And gives a example of a bureaucratic conversation between Barbara and her team leader, Karen.

«KAREN: “So how would you rate your performance this year on a one to five listening and putting your view forward, project planning, and creating a vision.”
BARBARA: «Well, I guess I would give myself a four on all of these – I think I have had a pretty good year, all things considered.”
KAREN: “Thanks, Barbara. I will put you down as a four for all of these. Good to see you! Let’s meet again soon.”

And Lynda expands her idea about this little talk: “This is dehydrated talk in the sense that it contains no real facts and neither Karen nor Barbara is being particularly authentic or revealing about herself. Think about the times when dehydrated talk happens to you. My guess is that it happens most often when you are in a formalized situation, simply going through the motions. Barbara is merely going through the ritual of a performance-management conversation with her team leader. Of course, sometimes performance-management conversations can be full of feedback and insight – but more often they are simply formalized exchanges in which the outcomes were predictable.”» («Glow», p. 75, Lynda Gratton)

It is no use when the leaders tell their doors are open and everybody should be free to talk to or with them. The problems are not in doors, only in behavior and intention.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

«O meu gabinete tem sempre a porta aberta»

Esta frase, tão repetida por quadros superiores com responsabilidades de liderança, é música para os ouvidos em 99% das vezes.

E voltamos à questão das portas. Contei há tempos uma história sobre as hierarquias, que marcavam a sua posição na organização por terem portas… nos gabinetes. Ter porta seria sinal de se ter poder de decisão.


Sempre se falou de chefias e de liderança, mas agora que o mundo foi abalado, viramo-nos violentamente para quem manda, quem dirige, quem regula, quem organiza, quem monitoriza. E principalmente porque estes parecem afinal não ter assumido de todo a responsabilidade. Continuam, isso sim, a programar novas decisões que acarretam sacrifícios enormes a quem principalmente pagou caro pelas decisões anteriores.

Quando há um descontentamento geral com as falhas de comunicação dos líderes, apressadamente afirmam: «Mas o meu gabinete tem sempre a porta aberta… Quem quiser falar comigo, pode fazê-lo, será sempre atendido.» Bonito, não é? Musical de mais para se acreditar. Até parece que há liberdade para comunicarmos. Que a interacção é franca, sincera e aberta. Que é fácil falar com os níveis hierarquicamente superiores…

Porque não se acredita nestas frases? Porque não é a porta que faz a diferença. O que conta é o comportamento e a atitude.
Se o director só fala e reúne com as hierarquias, chefias e pares, não olha nos olhos dos colaboradores, não sabe os seus nomes, atira um «boa-tarde» entre dentes, de pouco vale ter a porta do gabinete aberta. Ainda mais quando dentro desse gabinete a barreira da cadeira de encosto longo e a secretária presidencial asseguram a devida distância e definem os poderes.
A atitude de abertura começa na pessoa, na interacção, não na porta, não nos objectos.

Daí que a comunicação seja sempre formalizada, constrangida e ritualística, onde os resultados são previsíveis. O que se pode chamar de conversa burocrática. O que Lynda Gratton chama de conversa desidratada.
Em vez de dizer que o gabinete está aberto, tenha uma atitude de abertura com a equipa, não fale só com chefes e directores. Olhe as pessoas, cumprimente-as, interesse-se por elas, porque são elas também o coração da produtividade.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Os ambientes defensivos e os entusiasmantes

Lynda Gratton, professora e investigadora da London Business School, mais uma vez, surpreendeu-me com uma obra fantástica. «Glow». O que são ambientes entusiasmantes, onde se trabalha com paixão e entrega? Como se encontram? Como se identificam? E que características têm?
Então aqui temos uma amostra do que consta nesta obra tão profunda de tanto significado:

O que dizem normalmente as pessoas quando ESTÃO num ambiente de glow?
-Sinto-me completamente em sincronia com o resto das pessoas
-Sinto que posso confiar nas pessoas com quem trabalho
-É uma grande e entusiasmante experiência
-Sei que se sentir alguma dificuldade, eles estão lá para me ajudar
-Sinto-me incrivelmente entusiasmado com as possibilidades que tenho
-Sei que estamos juntos nisto, e isso é uma boa onda
-É com muito prazer que ajudo os elementos da minha equipa

O que dizem normalmente as pessoas quando NÃO ESTÃO num ambiente de glow? Ou, por outra, se encontram no chamado Big Freeze?

-Sinto-me consumido pela raiva
-Ninguém confia em ninguém
-Está-se sempre a ver se não nos lixam pelas costas
-Política e maus sentimentos são uma constante
-Há sempre pequenos grupos a formar-se para se defender
-Saio sempre do trabalho mentalmente exausto
-Nunca se sabe o que dizem nas nossas costas ou na nossa ausência.

Se se inclui no segundo grupo, então pode dizer-se que está num Big Freeze. Tem poucas oportunidades ou nenhumas para se desenvolver e aprender, e sente-se como se estivesse num impasse. Está num ambiente altamente competitivo e pouco cooperativo. Há pouco que tenha a fazer, a não ser sair...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

The art of possibilities



Leadership, Learning process, Perspectives, Criativity, Possibilities, Innovation. A facebook friend of mine, Ângela, sent me this video, that is a beautiful lesson from the conductor Benjamin Zander.
After 20 years, Benjamin realized that a conductor doesn't make a sound. Doesn't play. What does he do then? He gives possibilities. That is the real success. Here what success is? The art of having eyes shining just in front of you. Is the art of giving possibilities.
I wish leaders had done the same. Today we would not be in crisis...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Leading by example

Les Brown, a well-known speaker, said to Darren Hardy, the Success magazine publisher, about the power of influencing an audience: «It’s important you reveal more about who you are, not just what you know. You can’t just talk to people’s heads or only appeal to their intelligence; you have to talk to their hearts. You can’t move people with logic. They cannot just hear you… They have to feel you. And they will only feel you if they know you, not your title or résumé, but your story, the truth of who you really are and how you got here—both the triumphs and the failings. This is what will make you real and make you available to be connected to and able to influence and motivate others.»
Leaders must lead by example and let people get to know them; expose their faults, who they are, their true story. Strenghts and vulnerabilities.

And Darren Hardy ends: «I believe we are beginning an era of authenticity. People want to connect with what’s real, open, honest, transparent and authentic. If you want to be a leader of the future, this is one of your greatest keys. Open yourself up to others. Be real. Lead by example in your honesty and openness. If people can feel you, connect with you, they will charge through walls for you. That is real leadership.»

And I believe the world crisis is a result of fake leadership and lies. In this new era we require new behavior too from the world leaders, and from company leaders. With nowadays lack of authentic leadership we go to nowhere.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Deus ou o mundo? Amigo do «boss» ou amigo da empresa? (parte II)

É melhor ser amigo de Deus ou do mundo? Na obra de Harold Kushner, mencionada num dos posts anteriores, o autor refere um episódio de Jacob, no capítulo 28 do Livro do Génesis.

Jacob deixa a casa dos pais depois de ter discutido com o pai e com o irmão. «… E viaja a pé com destino a Harã para viver com o seu tio Labão. Assustado e inexperiente, envergonhado daquilo que fez em casa e sem saber o que o futuro lhe reserva em casa de Labão, reza: “Se Deus estiver comigo nesta aventura, protegendo-me, dando-me que comer e que vestir, e se eu voltar a casa do meu pai são e salvo, então o Senhor será o meu único Deus. Dedicar-lhe-ei um altar e porei de parte um décimo de tudo quanto eu ganhar para Ele.”

Jacob, meio perdido na sua aventura, inseguro e assustado, opta por “subornar” Deus. Está preparado para compensar Deus por protegê-lo e fazê-lo prosperar, e aparentemente acredita num Deus cujos favores podem ser conquistados e cuja protecção pode ser comprada com promessas de oração, caridade e veneração exclusiva. A sua atitude, à semelhança de tantas outras pessoas hoje a braços com a doença ou o infortúnio, é expressa da seguinte forma:

“Por favor, meu Deus, faz com que isto corra bem e eu farei tudo o que quiseres. Deixarei de mentir, irei à igreja regularmente. É só dizeres o que queres, que eu faço, desde que me assegures isto.”

Quando não estamos pessoalmente envolvidos, podemos reconhecer a imaturidade desta atitude, e a imaturidade da visão de Deus que lhe subjaz. Não é imoral pensar desta maneira, mas é pouco correcto. Não é assim que o mundo funciona. As graças de Deus não estão à venda.»

(Na página 148 do livro, Kushner explica como, anos depois, Jacob se comporta de forma diferente. Aconselho vivamente a sua leitura.)

A crença de Jacob de que «subornando» Deus, fazendo tudo o que ele quisesse em troca da sua segurança é a mesma dos nossos congéneres «amigos do “boss”»: «Eu sou teu amigo, faço-te todos os favores que quiseres, pessoais ou não, e tu manténs-me aqui, com estatuto, de forma a eu orientar a minha vida. Se quiseres eu vou levar o teu carro à oficina, vou pôr a tua carta ao correio, compro o teu jornal de manhã. Se quiseres eu despeço o tipo de que não gostas, posso até provocar a situação para te resolver o problema. Mas em troca manténs-me aqui, que eu preciso de sustentar a minha família e de ser respeitado. Serei o teu braço direito.»

E assim lá passam os interesses do departamento ou da empresa para segundo plano, pois o que interessa mesmo é assegurar os serviços ao… «boss».

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Deus ou o mundo? Amigo do «boss» ou amigo da empresa? (parte I)

Um tema sempre actual. É da natureza humana. Em todas as organizações encontramos os nossos colegas, que se interessam, não pelo trabalho, não pela empresa, nem sequer pelos seus pares. O seu único focus é o «boss» (patrão, director ou chefe).

E tornam-se rapidamente seus fiéis amigos... É um processo relacional conveniente, afinal, à luz da chamada competência emocional de Goleman (mais tarde abordar-se-á aqui). Ou até seguindo o hábito da crença divina assente no servir a Deus (podendo esquecer o resto). Mais complicado é quando os amigos do «boss» estão também em posições inferiores de liderança.

Que efeitos têm estas amizades na criação de valor da empresa? Que importância tem ser amigo do «boss» ou amigo da empresa? Qual o efeito produtivo de uma e de outra?Vejamos algumas diferenças:

Amigo do «boss»:
Presta serviço ao superior hierárquico; Apropria-se dos bens da empresa; Controla e centraliza o poder; Distribui as culpas; Evita a inovação para não ser posto em causa; Afasta pessoas potencialmente competentes…

O amigo do «boss» orienta o seu comportamento pelo Medo, pelas Certezas; pela Desconfiança; pela Ordem. Ele Improvisa, ele agrada a quem convém, é subserviente, ríspido, obcecado, insistente, territorial, avesso ao risco. Usa a palavra «eu».
O amigo do «boss» pensa: «Os meus subalternos dependem de mim.»

E o amigo da organização?
Presta serviço à organização, Salvaguarda os bens da empresa; Delega responsabilidades, Abraça a mudança; Procura novas ideias e pessoas potencialmente competentes…

O amigo da organização orienta o seu comportamento pela Curiosidade; pelas Dúvidas; pela Confiança, pela Organização; pela Planificação. Ele arrisca, abre-se aos outros, é respeitador, firme, focado, empreendedor. Usa a palavra «nós».
O amigo da organização pensa: «Os meus colaboradores são o meu suporte.»

Independentemente de podermos classificar de mau ou bom, o comportamento parte de crenças: crenças de poder, de medo, de ameaça, de sucesso, etc... Herdadas da nossa cultura e da religião.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Deus é justo ou castigador?...

Li há pouco um livro que encontrei num alfarrabista de rua. Encontram-se sempre preciosidades em segunda mão. E por apenas 5 euros trouxe uma obra do rabi Harold S. Kushner, «Quando Acontecem Coisas Más às Pessoas Boas». Segundo informa na contracapa, foi «reeditado vezes sem conta nos últimos vinte anos».

Harold Kushner, é importante que se saiba, sentiu-se sempre compelido a ajudar os outros e levou a sua vida a fazer o bem, a ser correcto e exemplar, de acordo com as normas culturais e as regras inquestionáveis escritas na Bíblia.
O certo é que se sentiu «castigado» por Deus quando o seu filho nasceu com uma doença chamada de progéria. Um envelhecimento precoce levou Aaron à morte logo na adolescência. E Kushner questionou-se porque teria sido escolhido para ser castigado? Para ele aprender alguma coisa sobre compaixão? Mas sacrificaria Deus uma criança em nome da aprendizagem de outros?... Haveria um Deus castigador?

E não contarei mais. Direi apenas que devorei as 174 páginas em dois dias. O fenómeno é simples, tanto quanto a pergunta do próprio título... Afinal toda a gente se interroga porque é que as pessoas boas são castigadas, têm azares ou lhes acontecem coisas inacreditáveis, enquanto os «ímpios» parecem sair muitas vezes incólumes da odisseia da vida? A Bíblia fala dos justos e dos ímpios como se houvesse um desígnio que estivesse determinado para cada um, mas na verdade sentimos que o sofrimento é distribuído de forma… injusta.

Será que Deus escolhe os pobres para sofrer? E porque são os pobres pobres? E porque é que Deus decide quem tem… azar ou… sorte, sendo que cidadãos exemplares são sujeitos às mais duras provações e privações? Deus afinal é justo ou tem falhas de avaliação?

Bom, Kushner desvenda todas as explicações num ritmo alucinante de escrita sublime, simples e objectiva. Depois, a força do seu texto brota das suas palavras sentidas, de quem viveu um sofrimento atroz e passou o tempo a desvendar o seu significado.

Uma obra imperdível, diferente e que questiona as regras e os princípios instituídos com uma clareza e uma elegância ímpares. Impossível ficar indiferente.