terça-feira, 27 de julho de 2010

Mentalmente gordos…


Uma verdade inquestionável foi o que o professor catedrático de Antropologia da universidade americana de Harvard, Andrew Oitke, escreveu no seu livro «Mental Obesity». A obra é revolucionária. Oitke considera a «Obesidade Mental» o pior problema da sociedade moderna.
Os efeitos da forma como alimentamos o físico é semelhante à forma como alimentamos o cérebro. Com consequências ainda mais nefastas.

Escreve Oitke: «A nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos do que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns do que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas. Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hambúrgueres do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»

E onde reside a origem deste problema? Nos pais e na Escola. «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. E como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas?»
Adivinhem que tipo de vida e de pensamentos terão com esta dieta: adrenalina, violência, acidentes, discussão, etc. Haverá lugar para uma vida saudável no futuro?

No capítulo «Os Abutres», Oitke escreve: «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas. A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular. (…) Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»

«(…) O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades (…). Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata do fim da civilização. É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.»

Permita-se à sua liberdade. Os mais esclarecidos pensadores do nosso tempo, do desenvolvimento pessoal, do bem-estar mental e físico, são unânimes: Não veja telejornais, filmes violentos, novelas e talk-shows. Permita-se a optar pela sua liberdade.