sábado, 21 de agosto de 2010

A falência dos currículos convencionais

Tire nota: os currículos já não se enviam aos montes. Não pulverize cartas com currículos para todas as empresas de que saiba o nome. Fixe que a nossa era é a da criatividade, do marketing, da excelência.
O mundo está em revolvimento. A incompetência encontra-se agora a descoberto. Já não há tanta tolerância para os que estão no comando e conduzem o barco até às rochas.
A nova era aí está, mas ainda a nascer… Daí que a sua abordagem ao mercado deva ser diferenciadora e não convencional.
Afaste-se das ideias pré-concebidas. Mova-se na direcção oposta. Os estereótipos e as convenções estão a falir e a máquina já não funciona da mesma forma. Atente bem nas palavras de Seth Godin, expert em marketing, no seu livro, «A Vaca Púrpura», sobre como arranjar emprego e enviar currículos:

«O mais certo é ter recorrido a um currículo da última vez que mudou de emprego. Seguindo a convenção, talvez o tenha enviado a centenas ou milhares de empregadores. Talvez tenha publicado online o seu currículo ou o tenha enviado como anexo em e-mails, num esforço para explorar todas as vias para um novo emprego. (…) É provável que o seu currículo vá ter à secretária de alguém que não tem qualquer interesse em si ou no que você faz.» (…)

Jason Fried escreve na revista Inc. o seguinte: «Pela minha experiência, os currículos são ignorados. Porquê? Porque estão cheios de exageros, meias-verdades, omissões. Estão também cheios de verbos de acção, que na verdade nada querem dizer. Na verdade, os currículos reduzem as pessoas a "bullet points", e a maioria das pessoas serão até melhores do que "bullet points".»

«Existe uma outra maneira de fazer as coisas.», afirma Seth Godin. «Provavelmente, já adivinhou: seja excepcional. (…) As pessoas notáveis são frequentemente recrutadas de empregos que adoram para empregos de que gostam ainda mais. O segredo não reside na técnica de procurar emprego. Tem que ver com o que estas pessoas fazem quando não estão à procura de emprego.» (…)
O mesmo acontece com a carta de apresentação, que diz logo se a pessoa quer mesmo este emprego, nesta empresa, ou se apenas procura um emprego.
O que Seth Godin e Jason Fried querem dizer é que, a par de ser excepcional, o seu currículo deve ser personalizado. Deve ter um estilo próprio (tipo de letra, arrumação, destaques, até imagens). Aplique algum design no layout do seu currículo. Seja breve no descritivo. Dê ênfase ao presente e a algum detalhe a algo importante para a função a que se candidata.
Depois, a carta de apresentação. Para a tal empresa. Personalize. Dirija-se directamente à empresa a que se candidata. Explique o porquê da sua candidatura (o que obriga a ter-se informado sobre a empresa e os seus produtos) e realce algo que ache importante e que justifique a sua contratação.
E, por favor, não dê erros. A carta de apresentação diz muito sobre a forma como comunica e como é. Seja rigoroso/a.
Basicamente, vá devagar. Envie um/dois currículos de cada vez e aguarde mais um pouco. Estruture nova abordagem.
Não é fácil, dá trabalho, isso dá. Mas valerá a pena.