quinta-feira, 14 de outubro de 2010

«É mais um»

(in portuguese)
Há uns tempos fiz um trabalho de diagnóstico organizacional num conjunto de estabelecimentos prisionais em Portugal. Como era a primeira vez que estaria em contacto com tal instituição, pedi alguns conselhos à organização que já havia feito algum trabalho neste ambiente. Depois de algumas considerações de como devia ser todo o processo de aplicações de questionários e dos vários obstáculos que poderia encontrar, a última observação foi sobre a maneira como devia ir vestido: «Bom, deve apresentar-se de fato e gravata, ou casaco e gravata. É importante que não vá informal, senão é apenas mais um, confunde-se com o resto do pessoal.» (O resto do pessoal eram guardas prisionais, na sua maioria, e funcionários administrativos e técnicos superiores).

Pensei muito neste conselho na procura de uma lógica. Que não encontrava. Se por acaso fosse a uma conferência de executivos seria conveniente vestir jeans e pólo para «não ser mais um»? Acaso as pessoas vestem-se sempre em desacordo com o momento para «não serem mais um»? Tomei a decisão de não levar gravata nem casaco, nem fato. Trajei-me de um formal descontraído.

Surpreendente é como posso classificar o feedback obtido. Na realidade, o trabalho fez-se sem dificuldade, com uma grande abertura de toda a gente. Em vez de encontrar receio, encontrei uma vontade generalizada em conversar e desabafar. Abertura para o preenchimento dos questionários, mesmo com mais de 100 perguntas. Encontrei uma disponibilidade para ajudar na recolha e no agrupamento de questionários. Encontrei pessoas simpáticas e disponíveis, abertas.

Pergunta: Teria acontecido o mesmo se tivesse vestido fato e gravata? Se tivesse imposto uma distância formal? Parece-me que não, à semelhança de outras medições anteriores.

Conclusão: Não boicote as suas interacções e os seus relacionamentos, sejam eles de trabalho, de amizade, formais ou não, impondo distanciamentos prévios. Não condicione a comunicação e a aproximação. Portanto, não vinque o distanciamento criando uma barreira.

Lembre-se das palavras de Jim Rohn: «Para ter sucesso tem de se tornar uma pessoa atractiva. Sucesso é algo que você atrai pela pessoa em que se torna.»


(in English)
«It's more a»

Some time ago I did a study of organizational diagnosis in a number of prisons in Portugal. How was the first time would be in contact with this institution, I asked some advice to the organization that had done some work in this environment. After some consideration should be how the whole process of applications, questionnaires and various obstacles they might encounter, the last observation was about I should dress: «Well, you must present yourself in suit and tie or jacket and tie. It is important not to go casual, not looking like just one more, mingled with the rest of the staff.» (The rest of the staff were prison guards, mostly, and administrative staff and senior staff).

I thought a lot on this board in search of a rationale. Not met. If by chance it was a conference of executives would be appropriate to wear jeans and pullover in order to not look like just one more? Are people always dressing in disagreement with the occasion for «not being one more»? I have decided to take no tie or jacket, not suit. I dressed as a formal relaxed.

Surprising feedback obtained. In fact, the work was done without difficulty, with a huge opening of everybody. Instead of finding fear, I found a general desire to talk and vent. Opening to the questionnaires, even with over 100 questions. I found a willingness to assist in the collection and collation of questionnaires. I found people friendly and available, open.

Question: It would have happened if I had had dressed suit and tie? If I had had imposed a formal distance? It seems to me not, as happened in previous measurements.
My conclusion: Do not boycott their interactions and their relationships, whether they work, friendship, formal or not, imposing prior distances. Not affect the communication and rapprochement. So do not crease the gap by creating a barrier.

Remember the words of Jim Rohn: «To succeed you must become an attractive person. Success is something you attract by the person you becomes.»