domingo, 17 de outubro de 2010

«Quem morrer com mais brinquedos ganha»

(in portuguese)
Coisas que toda a gente viu e sentiu… coisas que ainda não mudaram, parecendo que estão para durar

- Tive um chefe que dizia muitas vezes «estar a lixar-se» para o administrador, dizendo: «Primeiro eu, depois eu e depois ainda eu, e só depois o administrador.»

- A directora financeira de outra empresa dizia sempre sobre os colaboradores: «Nem imaginam quanto é que vocês custam à empresa.»

- Outra nova empresária cedo dizia quase o mesmo: «Nem imaginam o que vocês ME custam.»

- Outro ainda, do conselho de administração de uma empresa, desabafava à porta da empresa: «Esta malta quer ganhar mais, mas nem sabe gastar o dinheiro. Eu é que tenho de ganhar mais, porque sei o que são as coisas boas da vida.» Estava a referir-se a «malta» com ordenados entre 400 a 600 euros, comparado com o dele, acima dos 3000 euros.

- Outro chefe de departamento ainda dizia o seguinte para a sua equipa de trabalho: «A coisa melhor que me podia acontecer era despedirem vocês todos para eu chamar malta nova para aqui que não levantam ondas.» A idade deste chefe: 40 anos.

- Uma directora financeira de outra empresa disse-me uma vez: «Não espere aumento, até porque você tem a receber do IRS. Portanto, até vai receber um extra.»

- Ainda outro director, para justificar um atraso no pagamento do salário, disse-me: «Estás a perguntar pelo ordenado para quê? Não tens um part-time noutra empresa? Então cala-te.»

- Noutra situação, um chefe de redacção disse-me o seguinte, acerca da minha função de director de produção: «A tua função aqui devia ser: sentares-te, paginares os jornais e estares caladinho.»

Como disse uma vez o poeta Robert Frost: «O cérebro é uma máquina maravilhosa, começa a trabalhar assim que nos levantamos e pára logo que chegamos ao trabalho…»

As nossas organizações estão demasiado condimentadas com ironia, sarcasmo, cinismo, indiferença e hipocrisia. Já para não falar dos berros, das gritarias e das humilhações públicas. As relações são pobres, os desempenhos condicionados, o comportamento limitado, medroso. A maior parte das avaliações conduzem a resultados duvidosos se bem que aparentemente satisfatórios. Veja-se o que aconteceu à Economia global. Não há excelência suficiente, não existem empresas boas que cheguem para tanta parada disfuncional, corrosiva, tóxica.

O grande problema do mundo é sem dúvida a imbecilidade instalada. Que nos levou a esta crise, agora global, o que atesta bem a epidemia de tolice gananciosa que determina e avalia a nossa vida globalmente. Não se trata de sobreviver, é antes uma corrida autêntica à quantidade de «brinquedos». Ganha quem morrer com mais brinquedos. Irónico, no mínimo.

Como diz Robert Sutton, «os líderes, homens ou mulheres, transformam-se em imbecis insensíveis e egoístas e sujeitam os seus subordinados a abusos; pessoas que estão em pior situação relativamente a outras saem, sofrem danos psicológicos, e têm desempenhos de nível bastante inferior às suas capacidades reais.»

Sutton cita uma investigação que conclui que a utilização de expressões como «eu», «mim, eu próprio», «inventário perdido, roubado», «inimigo», «batalha», «sem consideração», «mau» levam a um ambiente menos cooperante do que aqueles que utilizam mais «ajudou», «justo», «agradável», «mútuo», «partilhar».

A recuperação das economias só se fará com atitudes e comportamentos inteligentes.


(in English)
«Whoever dies with the most toys wins»

Things that everyone has seen and felt ... Things have not changed, but we want to change it.

- I had a boss who often said «I don't give a shit» to the boss, saying: «First me, then me and then still me, and then the boss.»

- The finance director of another company always said about the employees:
«You can not imagine how much you cost the company.»

- Another new manager entrepreneur earlier said almost the same:
«You can not imagine what you cost me.»

- Yet another, one of the board directors of a company, at the door company: «These guys want to earn more but they realy don't know to spend money. I do have to earn more, because I know what are the good things of life.» He was referring to wages between 400 to 600 euros, compared with his, over 3000 euros.

- Another manager also said the following to your team work: «The best thing that could happen to me was to say goodbye to you all, to give me chance to call for young people here, that are more quiet.» The manager's age: 40 years old.

- A finance director of another company told me once: «Do not expect an increase in salary, because you have to receive from the IRS. As you see, you will get an extra money.»

- Yet another director, to justify a delay in payment of salary, told me: «Why are you asking for salary? Don't you have a part-time at another company? So shut up.»

- In another situation, an editor told me the following about my role as production manager: «Your function here should be: sit down, make up the newspapers and remain silent.»

As once told poet Robert Frost: «The brain is a wonderful machine, starts working as soon as we got up and stops as soon as we come to work ...»

Our organizations are too filled of irony, sarcasm, cynicism, indifference and hypocrisy. Not to mention the screaming, the yelling and public humiliations. The relations are poor, the performances conditioned, the behavior limited, and fearfull. Most of the assessments lead to dubious results though apparently satisfactory. Look at what happened to the global economy. There is not enough excellent, there are not enough good companies to stop so dysfunctional, corrosive and toxic atmosphere.

The big problem of the world is without doubt the idiocy installed. That led us to this crisis, now global, which underscores the epidemic of silliness and greedy that determines and evaluates our lives globally. This is not to survive, it is an authentic race to the amount of «toys». Win who dies with the most toys. Ironic.

As Robert Sutton writes, «the leaders, men or women, become callous and selfish jerks, and subject their subordinates to abuse, people who are worse off relative to other, suffer psychological damage, and have low performance well below their real capacity.»