terça-feira, 2 de novembro de 2010

O «Truque» já não resulta tanto... (I)

... mas ainda produz resultados.
É para quem tem vergonha. Há muita gente que não a tem. Habituou-se a sobreviver com truques, com esquemas. A classe política já todos sabemos que entra no lote do truque. A questão é que o mercado funciona todo com truques. O comercial, o vendedor, o marketeer, o gestor, o chefe. Todos estas entidades, em diferentes medidas, por norma e demasiadas vezes têm o truque como saída. Sempre tiveram. Dizem, dizem, dizem, falam, falam, falam, prometem, prometem, prometem. E fazer?

O truque tem safado muita gente, mesmo muita. Que ganha a vida com malabarismos semânticos e linguísticos. Criam uma imagem superior de conhecimento, de prestação de serviço, de experiência. Enfim, falam deles próprios, elogiam-se, fazem questão de contar as suas histórias de sucesso, «vendendo» a ideia da competência e da mais-valia.
O truque até é fácil, pois depende apenas de dois factores que até agora tinham vindo a resultar muito bem:

Factor 1 - Falar muito e articular um discurso convincente, que é como quem diz cheio de auto-afirmações, auto-elogios e feitos heróicos, profissionais e pessoais.
Factor 2 - PROMETER. O mais importante. Fornecer expectativa, com convicção.

Bastante simples este processo. Mas requer alguma arte para a manha... A arte de Dizer e Prometer.
Porém, a crise dos nossos dias convida à prudência, ao recolhimento, à desconfiança. A promessa dita é um elemento etéreo, que se esfuma no espaço e no tempo. A promessa dita é incolor e inodora. Daí que não seja segura, tendo apenas sustentação na crença do outro, a quem se promete. E esse agora desconfia mais, hesita, espera. Quer antes resultados, porque as promessas esvaziam-lhe os bolsos.

E como diz Seth Godin, expert em marketing: «If you catch yourself making a promise that's been made before, stop. Don't spend a lot of time and effort building credibility with this sort of promising, because it doesn't pay off. Make different promises, or even better, do, don't say.»

E tudo isto para falar de quê? Bom, até agora criava-se uma imagem dizendo e prometendo, mas a agulha está a mudar para o fazendo. Não se diz, faz-se. (continua no próximo post)

(in English)
Tricky things anyway, do not work as in the past
... but still produces results.

It is for those who are ashamed. Many will not have it. She got used to surviving on trick with schemes. The political class already know all that enter the lot of the trick. The point is that the market works with all tricks. The vendor, the marketeer, the manager, the boss. All these entities, in different degrees, have the trick as output. Always had. They say, say, say, say, promise, promise, promise. What about doing?

The trick has gotten away many people. Who makes his living juggling with semantic and linguistic tricks. Create an image of superior knowledge, service delivery, experience. Anyway, speaking of themselves, are keen to tell their stories of success, «selling» the idea of skills and capital gains.

The trick is even easier, since it only depends on two factors which until now had been very good result:Factor 1 - Talking too much and articulate a compelling speech, which is as they say full of self-statements, self-praise and heroic deeds, and personal affairs.
Factor 2 - PROMISE. The most important thing. Providing hope, with conviction.

Pretty simple process. But it requires some art for the morning ... The art of saying and promising.
However, the crisis of our times calls for caution, for recollection, for suspicion. The promise itself is an ethereal element, which vanishes in space and time. The promise itself is colorless and odorless. Hence it is not safe, and only support the belief of others, who are promised. And that now more wary, hesitant, wait. First results, because the promises empty his pockets.

In the words of Seth Godin, marketing expert: «If you catch yourself making a promise that's been made before, stop. Do not Spend a lot of time and effort building credibility with this sort of promising, because it does not pay off. Make different promises, or even better, to, do not say.» (Continued next post)