domingo, 12 de dezembro de 2010

Contratar é para quem sabe (part I)

Recrutar por impulso. Uma história verdadeira.

O CEO não a conhecia, nunca a tinha visto, mas uma hora depois de termos iniciado o jantar de aniversário, já o homem tinha uma certeza acerca da amiga da aniversariante e directora da revista:
«Você é que vai ser a sócia do meu filho.» E a convidada: «Eu, sr. dr.?, ai está-me a deixar envergonhada»
Mas ele insistiu: «Não, não, eu sei o que estou a dizer. Você é a pessoa indicada para ser a sócia do meu filho. Preciso de uma pessoa como você, entendida em leis e, pelo que eu já vi aqui, é você a pessoa certa. Bom, está feito. Falamos no fim do jantar.»

O homem tinha um filho empresário ligado ao negócio do catering. Com uma boa carteira de clientes e bastante trabalho, abrir um restaurante no centro de Lisboa era agora o projecto. O pai queria ajudar o seu filho, queria arranjar-lhe um sócio, pessoa de confiança, de preferência ligada à área das leis. Sendo aquela senhora amiga da directora da revista, parecia nada haver a temer.

E pronto, assim se fez o recrutamento. Um jantar de aniversário, um ambiente festivo, leve, informal, positivo, onde se contam muitas piadas, se dizem autênticos disparates fora do contexto laboral. Como escreve Jason Fried em «Rework», uma ocasião «onde toda a gente evita conflitos ou dramas e foge de conversas sérias ou opiniões controversas.»
Ninguém conhecia a senhora, mas era muito simpática, pois então, e destacou-se com as suas anedotas e boa-disposição. Assim foi recrutada e aceitou tornar-se sócia.

Um ano após, o restaurante fechou. A desconhecida senhora que se havia tornado sócia num jantar de aniversário «tratou» bem das (suas) contas, descapitalizando a empresa. Mas, não satisfeita com isso, aproveitou ainda para ficar com os clientes do sócio e criou a sua própria empresa com preços mais competitivos.

Contratar/recrutar é para quem sabe,
não para quem quer, e em contextos próprios...