quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Moving in the opposite direction (part I)

Uma lição poética de como estar na vida, de Joaquim Pessoa

POEMA DE AGRADECIMENTO À CORJA
Obrigado, excelências.
Obrigado por nos destruírem o sonho e a oportunidade
de vivermos felizes e em paz.
Obrigado
pelo exemplo que se esforçam em nos dar
de como é possível viver sem vergonha, sem respeito e sem dignidade.
Obrigado por nos roubarem. Por não nos perguntarem nada.
Por não nos darem explicações.
Obrigado por se orgulharem de nos tirar as coisas por que lutámos e às quais temos direito.
Obrigado por nos tirarem até o sono. E a tranquilidade. E a alegria.
Obrigado pelo cinzentismo, pela depressão, pelo desespero.
Obrigado pela vossa mediocridade.
E obrigado por aquilo que podem e não querem fazer.
Obrigado por tudo o que não sabem e fingem saber.
Obrigado por transformarem o nosso coração numa sala de espera.
Obrigado por fazerem de cada um dos nossos dias
um dia menos interessante que o anterior.
Obrigado por nos exigirem mais do que podemos dar.
Obrigado por nos darem em troca quase nada.
Obrigado por não disfarçarem a cobiça, a corrupção, a indignidade.
Pelo chocante imerecimento da vossa comodidade
e da vossa felicidade adquirida a qualquer preço.
E pelo vosso vergonhoso descaramento.
Obrigado por nos ensinarem tudo o que nunca deveremos querer,
o que nunca deveremos fazer, o que nunca deveremos aceitar.
Obrigado por serem o que são.
Obrigado por serem como são.
Para que não sejamos também assim.
E para que possamos reconhecer facilmente
quem temos de rejeitar.

Joaquim Pessoa (poeta, pintor e publicitário)

Passamos muito tempo a identificar o que é mau. É uma coisa humana. Simples mas não fácil de reverter. A verdade é que, sem o mal, o que é mau, não teríamos o bem, o mal. É estranho termos de agradecer o que é mau, ou que é mal.

O poeta Joaquim Pessoa fê-lo de forma exemplar. Realçando os detalhes culturais da herança portuguesa, ele agradece a todos os maldosos, invejosos, castradores, tiranos, ciumentos, enfim a todos que assumem as suas limitações querendo reproduzi-la nos outros a qualquer custo.
O seu poema, que me foi enviado pela minha amiga Ângela, é um exemplo de como, referenciando o mal, o mau, podemos escolher o bem, o bom. Para tal basta optar pelo contrário. Basta deslocar-se na direcção oposta. Tal como o meu mentor, Jim Rohn, escreveu: «(...) Guess what you must do to succeed: moving in the opposite direction»