segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Saber fazer, delegar ou estragar

 «Se fazes aquilo que não sabes fazer, então fica por fazer
 o que sabes mesmo fazer. Não interfiras, deixa as coisas acontecer»


Ocorreu-me uma conversa que tive há algum tempo com o director-geral de uma empresa editora de publicações em que trabalhei. Um director-geral controlador, monitorizador. Do tipo de pessoa que pensa saber tudo, desconfiando sempre da competência dos outros. O paradoxal da sua missão na empresa tornou-se... FAZER NADA.

O director-geral achava mesmo que podia e tinha tempo de fazer tudo. Pedia serviços aos colaboradores mas interferia amiúde, competindo até com eles. Tanto que quase tudo corria mal ou menos bem. O indivíduo não fazia o que lhe era devido, não conseguia fazer o que não lhe era devido e ainda por cima estragava o pouco que sobrava bem feito...
Um dia, sentei-me à sua frente e tentei mostrar-lhe o que estava a acontecer. Aqui está um pedaço do que lhe disse. Parece um jogo de palavras, mas o significado foi entendido:

«(...) Se não sabes fazer, não faças. Agora se tu fazes aquilo que não sabes fazer, então fica por fazer o que sabes mesmo fazer.
Já reparaste que só te dedicas a fazer aquilo que não sabes fazer? Dizes que sabes tudo mas a tua questão é que queres fazer tudo. Queres, mas não sabes e julgas que sim.
E se as coisas não resultam é porque não tens tempo para fazer as coisas que realmente sabes fazer porque demoras naquilo que não sabes fazer.
Portanto, delega, acompanha, colabora. Não monitorizes, não interfiras. Deixa acontecer (...).»

Bom, efeitos?... É verdade que houve um ensaio de boa vontade e de mudança comportamental, mas o indivíduo estava demasiadamente preso no seu ego. E cedo continuou a reproduzir o seu comportamento. Resultado? O «barco» (empresa) afundou-se poucos meses após.