quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

E de repente um pedido de casamento

A revista RH Magazine de Novembro/Dezembro traz um artigo excelente sobre o «Engagement», promovido pela Alter Via. O título é sugestivo, «Quer Casar Connosco? Em Pleno Século XXI, Esta é a Proposta Que as Empresas Devem Fazer aos Seus Colaboradores» Bonito.

Quando o dinheiro é o recurso mais fácil de aceder e a tecnologia é bastante acessível, resta o mais complexo de recrutar e reter, as pessoas com talento. Que é o recurso mais escasso. Diz o artigo, da autoria do partner Ricardo Costa e da consultant Joana Pereira, «As pessoas continuam a procurar estabilidade, conforto, compromisso e um lugar onde possam ser felizes». O que motiva e satisfaz o colaborador é «o vínculo emocional com a empresa, que é o que motiva e satisfaz o colaborador». O artigo alerta para a demasiada focalização no dinheiro e nas recompensas, que, apesar de importantes, numa medida excessiva conduzem a «focos de ineficiência».

Há dois pedaços deliciosos neste texto:
primeiro diz que «os colaboradores são como as crianças, eles não querem presentes caros, só querem atenção e dedicação»
O segundo marca o final do texto e é uma proposta de casamento: «Eu, teu empregador, recebo-te como meu colaborador e prometo ser-te fiel, desenvolver-te e promover-te, na crise e na bonança, na vitória e no falhanço, todos os dias do nosso contrato, até que a tua vontade nos separe.»

Hum, que delícia. O estudo feito pela Alter Via conclui que «as tradicionais dimensões da GRH só têm impacto significativo nos níveis de engagement racional. Assim sendo, o principal driver da motivação e da satisfação, o que faz o colaborador entregar o seu melhor contributo à empresa, o engagement emocional, simplesmente não está contemplado nas dimensões reconhecidas e geridas pelas empresas».

Por fim, o artigo confirma o que estudos internacionais já estudaram: «(...) os principais "drivers" da motivação são factores como a Autonomia na tomada de decisões; O incentivo à excelência e o propósito inspirador que justifica moralmente e existencialmente a actividade profissional.» Para que tal aconteça é preciso a «promoção de ambientes de igualdade, liberdade de expressão e compromisso».