quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Empresa Tóxica - Take 1


«Se falas com fulano não falas connosco»

Já passei por algumas destas situações. Dizia-me um dia um colega, manager de um departamento de um empresa de edições impressas: «Tu és amigo de algumas pessoas aqui dentro que não interessam a ninguém. Vai lá ter com essas pessoas e não venhas aqui muito porque não és de confiança.»

Ora, algumas dessas «pessoas» a quem se referia eram do meu departamento, e esse colega não gostava de algumas. E também não gostava de outras da Publicidade e da Contabilidade, com quem eu tinha de trabalhar.
Sendo assim, passou a dificultar a comunicação comigo. E como eu tinha de organizar trabalho com ele, era penoso o empreendimento e perdia tempo demasiado a contornar as birras e os amúos do colega. Nunca cedi às pressões, pelo que não interrompi ou dificultei a comunicação com quem quer que fosse. Porque entendo que se a empresa não gosta do colaborador por alguma razão, deve resolver o problema de uma vez. Ou o dispensa ou o acompanha. E também as organizações não se compadecem com estes AVC's de comunicação, com consequências dramáticas...

Muitas empresas organizam-se em torno de grupos de interesse. Entendemos que é próprio do ser humano. É normal. Pois é, também acho, mas até certo ponto. Quem já não esteve com pessoas que interagem bem, mas que vão descobrindo que não gostam de alguém e resolvem deixar de o considerar, ou até de lhe falar. E tentam desde logo propagar essa atitude, exercendo uma pressão do tipo, «Se falas com ele, ou ela, não falas connosco, porque não te vamos permitir». Portanto, se alguém falar com essa pessoa, «perderá» o grupo e o contacto.

Dentro de uma organização esta atitude é de desorganização, destruidora, afectando o clima. Evitar é não colaborar. Fica a comunicação restringida e perde-se valor, perde-se em produtividade, perde a empresa e as suas contas.
O papel dos líderes é, claro, contrariar essa tendência, nunca cedendo a estas pressões, mesmo que acarretem alguns efeitos perversos sobre si próprios.

Lembre-se que o AVC é uma interrupção da comunicação e produz efeitos dramáticos no organismo humano. Agora transponha a situação para a empresa. Pois, não é exagerada a comparação, acredite.

PS: Ah, sobre o indivíduo de que falei no início. Durante muito tempo resistiu, mas não foi bem-sucedido. Acabou por ser dispensado depois de se ter feito as contas às sequelas.