segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Empresa Tóxica - Take 8


Os invisíveis ou o fenómeno do Evitamento


Um factor determinante de um ambiente disfuncional. Considerar os outros invisíveis. Robert Sutton, no seu livro Good Boss, Bad Boss, sublinha também esta característica. Eu confirmo-a porque a testemunhei e a vivi.

No fundo, é a fase pré-prateleira, mas nem sempre chega a esse ponto. E acontece muito com pessoas competentes e com potencial. Este tipo de pessoas acabam por ser uma «ameaça» à rotina normal da empresa. Ter ideias ou destacar-se com trabalho bem executado pode ser ameaçador para colegas e para o chefe. Então a primeira forma eficaz de terminar com a produtividade ou o brilhantismo do indivíduo é torná-lo «invisível».

Exemplo: Vendo a empresa em dificuldade económica e financeira, um dia, como director de produção, propus ao gerente fazer uma prospecção de mercado para encontrar uma gráfica que imprimisse as publicações com preços mais baixos. A resposta veio célere e... estranha: «Esqueça isso, não vai conseguir algo que se veja, não vale a pena.»

Porém, tomei a iniciativa de contactar cerca de uma dezena de gráficas, mesmo contra a estranha sugestão da administração. E a surpresa chegou: uma gráfica a fazer o trabalho por menos 10.000 euros mês. Algo de brutalmente significativo atendendo à dimensão da empresa e ao volume de negócios. O gerente ficou perplexo, porém radiante. Mudámos de gráfica e os cofres da empresa suspiraram de alívio perante um espectro de falência.

Resultado: A partir desse momento passei à condição de «super-herói», tornei-me no Homem-Invisível. Uma grande fatia dos meus colegas e pares iniciaram uma espécie de acção concertada e deixaram de me falar, evitando-me e cruzando-se comigo como se eu não existisse... Só comunicavam comigo em contexto estritamente profissional. Alguns comentários que ainda ouvi foi do tipo: «Tens a mania que és bom.» Imaginem o que é tantas horas passadas na empresa como se eu fosse invisível para a maioria das pessoas e depois de ter tomado uma iniciativa espontânea com efeitos directos na manutenção de postos de trabalho e também da empresa.

Em empresas disfuncionais o esforço é penalizado, a competência é uma ameaça, o potencial é castigado, o bom trabalho é punido. A solução? Bom, invista o que puder, tire a maior aprendizagem possível e na primeira oportunidade, saia. Simplesmente fuja desse ambiente que lhe retira, dia após dia, energia tão cara.