quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A tolerância também gera violência

Ser tolerante é uma grande virtude. Uma pessoa calma, paciente, pacífica, tolerante para com os outros é algo apreciável. À partida, um comportamento destes gera sentimentos e relações de paz.

Mas, na minha opinião, a tolerância pode ser também potenciadora de violência. Vejamos que muita da prepotência e da usurpação tem o seu terreno preferido na tolerância. E se for muito e continuadamente tolerante, a prepotência passa a assumir contornos de violência. Enquanto houver terreno pacífico, há lugar a mais usurpação. E quanto mais tolerância houver, mais a violência crescerá sobre si. Em grande parte das empresas, se você for assim tão tolerante, o que poderá acontecer é ficar sem trabalho. Sentirá o seu terreno invadido, até à violência extrema de ter de sair.

Tive um exemplo muito mau, com um chefe há 10 anos. Ele via na tolerância do patrão terreno para entrar na sua área de actuação. E quanto mais tolerância tinham, mais ele engendrava estratégias de usurpação. Recusava-se a seguir indicações, tomava iniciativas contrárias à política da empresa, tornou-se insolente. Com os seus colaboradores fazia o mesmo. Até que um dia se tornou insuportável. Tinha ocupado muito espaço. E o patrão deixou de ser tão tolerante. Não o despediu, mas alterou o tom de voz, comunicou-lhe directivas por escrito, reduziu-lhe a excessiva liberdade de acção.
E ele tornou-se cordeiro, subserviente, prestativo, cinicamente cooperante.

Normalmente a tolerância é vista como fraqueza, impotência, pacifismo. A percepção que tenho sobre isso é que a tolerância é algo de essencial, mas deve antecipadamente definir-se até onde. Como tudo na vida, uma pessoa tolerante deve também saber estabelecer fronteiras. Para se proteger e para proteger a relação que tem com os outros.

A paz e o sucesso dependem de uma tolerância «calibrada».