sexta-feira, 11 de março de 2011

A casca-de-banana... sem dono


Quando não há organização numa organização (a repetição é intencional), a política passa muito pela «casca-de-banana». Na ausência de uma política de recursos humanos a sério, com planos de desenvolvimento, de formação, de avaliação, de acompanhamento, de comunicação, os colaboradores como que se «desenrascam» como podem em cada dia de trabalho. Como? Cumprimdo as tarefas que têm ideia serem importantes, fazendo a «vontade» ao chefe e tentando adivinhar o que será melhor para eles para se aguentarem.

O problema surge quando alguém não interpreta bem a realidade, discorda dela ou de algum modo fica «fora do baralho». Em vez de a organização responder adequadamente, direccionando o colaborador para uma melhor produtividade e integração, opta pela casca-de-banana para se livrar dele de uma vez.

A primeira vez que tive contacto com a política da casca-de-banana tinha os meus 18 anos, e tinha começado a trabalhar há um ano, numa fábrica.Um colega meu, competente no seu trabalho de preparador (assim se chamava aos profissionais que preparavam tecnicamente uma reparação na fábrica), não colhia o agrado da equipa. Não gostavam dele, pura e simplesmente, «... que era parvo, que tinha a mania, porque só bebia sumos, não fumava, e ria-se muito alto». Estranho!

Nada, mesmo nada se relacionava com o desempenho. Enfim, um dia, o engenheiro responsável da área, em conversa com o chefe do departamento, presenciada por mim, atira o seguinte: «Eh pá, eu não vou à bola com o gajo e se ninguém gosta dele, podemos arranjar aí uma casca-de-banana e despedimos o tipo... Vamos a isso?», propôs o engenheiro ao chefe.

Por «acaso» (as comas são intencionais), o chefe não quis envolver-se. Não queria comprometer-se. Esperava que a coisa acontecesse sem assumir responsabilidades. E perante a sua gaguez momentânea, o assunto ficou, meio, como direi, pendurado. Morreu por ali. Ninguém quis assumir nada. Preferiam que a «casca-de-banana» aparecesse assim vindo de um evento transcendental.

PS: «Casca-de-banana» será uma situação de trabalho arranjada de forma a que o colaborador seja conduzido a um erro crasso.