quarta-feira, 23 de março de 2011

«Os Agentes do Destino» (I)



Fui ver o filme «Os Agentes do Destino», em inglês «The Adjustment Bureau». Ignorei a crítica institucional da comunicação social que o classificava negativamente. Matt Damon e Emily Blunt protagonizam a história de duas vidas que se cruzam, «por acaso» e por erro de «programação». E ali encontram o significado superior para as suas vidas. Estar um com o outro, mais tempo, talvez para sempre.

Mas há algo que não se ajusta. Ele, Damon, é candidato a presidente dos EUA. Ela é candidata a uma extraordinária carreira como bailarina. E é aqui que o filme começa. Porque este desajustamento é definido por uma entidade transcendente, que envia agentes para programar a vida dos humanos. E ficamos a saber que o encontro entre Damon e Blunt se deveu à demora de um dos agentes do «destino». Uma «incompetência»: Damon teria de ter entornado café na camisa para não encontrar Blunt.

O desenrolar do filme processa-se em torno de duas lutas. Uma do casal que continua apostado em completar aquela relação, outra dos agentes que tentam reparar o «erro», provocando situações para os separar.

O que fica da história? O conceito de significado. Os agentes do destino evocam razões que se prendem com o papel de cada um na sociedade futura, na carreira, no bem comum. São eles que monitorizam a sociedade, porque «o livre arbítrio é algo que transcende o ser humano, está para além do seu entendimento e conduz a que os humanos façam más escolhas».

O certo é que o significado das vidas do casal não teria sido atingido caso seguissem o caminho «melhor para eles», segundo a programação. Porquê? Porque não tinha tanto significado. Não era completo no propósito, sendo como que apenas um preenchimento de um vazio.

Apesar de o sonho da carreira, do poder, da realização profissional máxima ser posto em causa, em parte, a procura do significado nas nossas vidas é aqui posto a nu, cruamente. O filme acaba bem, com a vitória do casal. Ambos lutam pelo significado, pelo seu desejo, pelas suas possibilidades, pelas suas escolhas. A vida é uma sucessão de acontecimentos, de encontros, de olhares, de vontades, de escolhas. E a programação somos nós que a fazemos, todos os dias, no como, quando, onde, com quem, para quê e porquê.