terça-feira, 1 de março de 2011

Teletrabalho ou home based

Uma revista portuguesa de gestão publicou há dias a opinião de algumas pessoas sobre o teletrabalho. No meio de algumas considerações sobre a sua pertinência, referentes aos custos empresariais, a ideia dominante é a do isolamento, uma espécie de prisão a que é sujeita a pessoa que «trabalha em casa».

Em minha opinião, as mentes formatadas a horários de trabalho e a presenças em determinados sítios não conseguem pensar no teletrabalho para lá do horário. Então a avaliação que fazem é a da prisão, em que se vê o teletrabalhador a levantar-se de manhã para pouco depois se colocar ao computador e cumprir um horário de trabalho fechado em casa, sozinho, sem colegas, sem convivência.

Mas que ideia é esta?
O teletrabalho é um bem a todos os níveis:
1 - No teletrabalho é-se pago pelo trabalho
2 - Baseia-me mais nos objectivos do que no horário
3 - Há liberdade de gerir o tempo
4 - Há mais liberdade de interromper e circular
5 - Não se fica exposto a colegas inconvenientes
6 - Não se fica exposto a ambientes tóxicos
7 - Não se gasta dinheiro em transportes
8 - Não se gasta tempo em viagens
9 - Tem-se autonomia
10 - A motivação depende mais do próprio
11 - Pode ficar beneficiada a vida pessoal
12 - Pode-se trabalhar em casa, no hotel, na casa da mãe, dos avós, no café, etc.

Mas há mais. O teletrabalho pode não implicar distância física da empresa. Porque, em vez de 5 dias por semana, pode-se acordar estar presente na empresa duas vezes, ou três, ou até uma vez por semana.

Claro que o «teletrabalhador» tem uma grande desvantagem. Fica mais fragilizado quanto às invejas, às calúnias, à maledicência, às jogadas por trás. O teletrabalhador entrega-se à produção e ao cumprimentos dos objectivos. Não integra grupos, não monitoriza ninguém, não critica colegas, não exclui nem se zanga.
O teletrabalho é do melhor, independentemente do que se possa dizer. Em Portugal ainda mais. Mas difícil, porque a presença é ainda brutalmente valorizada.

É óbvio que depende do serviço, depende do acordo entre as partes. Mas isso daria aqui pano para mangas. Uma coisa também parece certa: o teletrabalho não é eficaz se quem o promover tiver um pensamento convencional. Um pensamento empresarial de horários, um pensamento empresarial de presenças e ausências. Porque o teletrabalho se baseia em objectivos. E pode não se chamar «teletrabalho» mas sim «home based» ou «trabalho a partir de casa». Porque o «teletrabalho» não implica só telefone, mas sim mail e webcam.

O acordo do verdadeiro «teletrabalho» ou «home based» nasce de pensamentos do século XXI, o que quer dizer, de pessoas objectivas, focalizadas, esclarecidas. De pessoas que gostem realmente de pessoas, que gostem de empreender e realizar, que gostem de atingir objectivos específicos.