sábado, 1 de outubro de 2011

Os «chefes» pela boca de miúdos...

Encontrei uma preciosidade. Textos de miúdos do primeiro ciclo do ano de 2005, escritos e publicados em livro. Uma iniciativa do Agrupamento de Escolas D. Manuel I, no Barreiro. Que fez nascer então um documento diversificado sobre ideias que as crianças têm sobre diversas áreas da vida. Uma parte deliciosa é quando os miúdos fazem, numa frase simples, o registo semanal dos chefes. Fiquem com alguns excertos:

- A ideia dos chefes é gira. Há chefes bons e chefes maus. Ou seja, uns sabem ser chefes, outros meninos não sabem. Os que não sabem, não prestam para chefes! (Filipa)

- Os chefes mandam menos bem que as «chefas». São parvos e esquecem as regras que eles inventaram! Mas só as más, as boas eles lembram-se! Pois, são muito espertinhos (Carolina)

- Eu gosto de ser «chefa», acho que as meninas são melhor «chefas» que os meninos! (Ana Maria)

- A Raquel e o Dinis são dois grandes «parolos»! São bebés, até nem deviam nunca ser chefes! Eles bebem «biberon»! São bebezões! (Eduardo)

- Os putos que vão embora com a mãe antes da hora não devem ser chefes porque são mariquinhas e os outros depois é que têm de arrumar as coisas deles, mesmo sem ser chefes! (João Pedro)

- Os chefes têm coisas boas! Eles escolhem as áreas antes dos outros, vão à frente no comboio, mas também se «tramam» porque depois têm de arrumar tudo! (André Filipe)

- Os chefes deviam bater nos putos que não arrumam e não obedecem aos chefes. Mas a regra principal é não bater e não gritar com os outros! É pena! Os chefes até ficam chateados com a professora porque ela não deixa bater! Mas ela é que é a chefe principal da sala! A seguir à Lúcia é logo a Mena! (Miguel)

- Os meninos que são os chefes são todos! É para todos saberem mandar na nossa sala e nas casas deles quando forem grandes! E nos trabalhos! (Soraia)

 - Os chefes e as «chefas» são uns chatos do caraças! Mas ajudam as professoras... (Ricardo Milheiro)

Registo também a ligação que há da chefia ao trabalho e à responsabilidade. Porque será que estas ideias se desvanecem mais tarde, quando adultos?