quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Do voto, ao trabalho


Os debates acesos sobre como definir o eleitorado é algo que sempre me atraiu. A necessidade de catalogar e de ajuizar os cidadãos na hora de ir à urnas domina conversas e notícias na TV.

Como cidadão, confesso aqui que já passei por todas as definições. Já votei efectivamente, já «votei» em branco, já «votei» nulo e já passei ultimamente pelo não ir sequer às urnas. As teorias sobre a «abstenção» e do «dever cívico» são sublimes e alimentam horas e folhas na comunicação social.

Se fizermos um paralelo do tema para as organizações, poderemos chegar a conclusões diferentes daquelas que a propaganda nos vende e que nos remete para o significado e para o propósito. Dois factores essenciais para a vida.

1 - Um indivíduo que vai votar por convicção e escolhe um partido porque acredita que está a fazer uma escolha significante para o país será comparável ao indivíduo que vai todos os dias trabalhar porque acredita e porque tem significado para ele.

2 - Um cidadão que vai votar em branco será porque não tem escolha, não tem opção, aceitando ir cumprir o preceito administrativo compatível com a máxima do «dever cívico». Será comparável a quem vá trabalhar sem convicções definidas, estando porém disposto a cumprir o preceito administrativo principal: o horário.

3 - Um indivíduo que vota nulo, das duas uma: ou não sabe como fazê-lo e erra por desconhecimento, ou está determinado a, secretamente, boicotar ou dizer ao sistema que está descontente ou contra. Poderá comparar-se ao indivíduo que vai trabalhar contravontade, estando disposto a fazer o menos possível e a boicotar, por exemplo chegar tarde, sair mais cedo, avariar equipamento ou promover discretamente o mau ambiente. Ou então estará desajustado e não realiza a função devidamente, prejudicando a empresa por incompetência. Uma coisa é certa, está lá todos os dias como se tivesse ido fazer alguma coisa.

4 - O indivíduo que não vai votar é porque basicamente o sistema não lhe diz nada, não participa sequer, até para não ir contra os seus valores, que seria votar em pessoas que acha nunca cumprem deveres cívicos. Portanto, não engana nem finge fazer o que não faz nem o que não tem significado para ele. Não prejudica.

E agora um pergunta sobre outro assunto: A abstenção é o quê?
Para mim parece-me que é o «votar em branco». Para a propaganda parece ser «não ir votar». Ora bem, o que me faz confusão é que, por exemplo, recentemente o PS esteve no Parlamento a abster-se quanto ao Orçamento de Estado. Estava lá a bancada completa e levantou-se toda à questão «Quem se abstém?».
Ora muito bem, se o conceito instituído fosse igual para todos, o PS, para abster-se, não devia ter comparecido na Assembleia.

Afinal, em que ficamos? Quantos dicionários deveríamos ter?