domingo, 15 de janeiro de 2012

I - O Cérebro Reptiliano - «ataque ou fuga»


No mundo do trabalho, grande parte das organizações em Portugal acredita que as pessoas são motivadas pelo medo das consequências, pela punição. Parece ser de grande eficácia, pois assegura reacções imediatas e uma aparência de ordem e disciplina.
Problema... Uma organização com uma cultura baseada neste método tem os dias contados no nosso tempo.

O medo e a punição activam o que há de mais primário em nós: o cérebro reptiliano, dicotómico, chamado de «fight or flight» (ataque ou fuga). Desenvolvido durante milhões de anos, ele continua a dominar a nossa mente quando pressente o perigo e age em nome da sobrevivência. É brusco e agressivo, move-se pelo medo de consequências negativas, é rápido e sobrepõe-se ao cérebro mamífero e ao visual, que também possuímos e que se desenvolveram posteriormente.

A consequência da activação de comportamentos de sobrevivência provocados pelo medo é que leva à baixa produtividade no médio prazo, ausência de criatividade e de inovação. Uma organização que adopte tal formato para instigar os seus colaboradores à produtividade acaba por entrar num ciclo vicioso fatal que a conduzirá a uma morte lenta e subtil.

Colaboradores stressados, são propensos ao absentismo, ao desapego, ao «só faço o que me mandam», entregues a ideias de incerteza, ansiedade e insegurança.

Como se diz em inglês, «no stick = no action; to much stick = no passion»