quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

O conceito de território empresarial


Uma das coisas que marca a nossa vida empresarial é a marcação de território. É como que um gene que remonta aos primórdios da nossa vida na natureza e que podemos testemunhar ainda nos documentários sobre a vida na selva.

Os espaços empresariais tornam-se assim muitas vezes em episódios da vida selvagem humana. Uma dos primeiros detalhes que é logo definido é definir quem manda, sendo que todo o espaço à sua volta funciona como símbolo à envolvente. Desde o tamanho do gabinete à secretária, da cadeira às gavetas. E assim ficam definidas as barreiras comunicacionais que marcam a vida da empresa, muitas vezes condenada à irrelevância no tempo.

E como funciona? Um ex-colega de trabalho e grande amigo dava-me há dias os pilares que havia aprendido sobre conceito de território empresarial aliado aos materiais que tinha de encomendar para empresas que representara:

Director – Secretária de 1,80 m, dois blocos de gavetas com rodas, cadeira de pele com braços e encosto de cabeça.

Chefe de Divisão – Secretária de 1,60 m, cadeira de napa ou imitação de pele, costas altas mas sem encosto de cabeça. Mantém os braços da cadeira e blocos de gavetas com rodas.

Chefe de Secção – Secretária de 1,40 m, cadeira sem costas altas, mas mantém braços, dois blocos de gavetas fixos.

Funcionários – Secretária de 1,20 m, cadeira sem braços, costas normais, um bloco de gavetas fixo.

Pode não querer dizer nada, mas pode querer dizer muito. Barreiras comunicacionais. Hierarquia definida. Deferência. Subalternidade. Arrogância. O que tem isto a ver com business? Pouco. Gestão é gerir pessoas, motivação, resultados, desempenho, disse-o Mourinho há dias. Portanto, sempre que pensar em definir território, pense também o que é que isso traz de valor para o mercado.