sábado, 26 de maio de 2012

O fim do lado puritano do trabalho


«Arranje um trabalho de que gosta e nunca mais terá de trabalhar mais na vida.»
Confúcio

Por aqui neste mundo ainda se considera que tudo o que é trabalho tem de ser uma coisa muito séria e não é para agradar. É para se fazer. É uma luta. Repare nas pessoas à sua volta de manhã, nos transportes, na rua, e verá que a maioria leva consigo uma expressão pesada, de «funeral». Vão para o trabalho.
Há duas tradições históricas por detrás desta ideia decrépita:

- A tradição puritana, vinda do protestantismo calvinista, finais do século XVI, Inglaterra: O trabalho é sério, é para ser levado a sério e nada de brincadeiras. A vida é dura e deve ser levada com frugalidade, disciplina, rigor e trabalho árduo. Só assim se pode alcançar a salvação.

- A tradição feudalista: Cuja noção é que as pessoas que trabalham pertencem ao empregador. Os empregadores, ou melhor, os senhores feudais disponibilizavam aos trabalhadores os meios de sobrevivência. Estas duas tradições impregnaram ainda a era industrial, mas agora, em plena era tecnológica, tradições como estas não resistem. No estertor, dão os últimos sinais da sua condição austera recorrendo à velha fórmula do medo. O formato comando-e-controlo puritanista e feudalista está a ser substituído por sistemas que permitem um grande nível de participação e decisão. É sabido que cada vez mais são as pessoas que controlam a produtividade e o valor das empresas e não podem ficar afastadas da equação.

As pessoas já não trabalham só para sobreviver, mas sim para atingir um propósito e um significado. A satisfação no trabalho vai passar a ser uma consequência em vez de uma dádiva divina.
Mas, muito mais do que isso, a SATISFAÇÃO vai ser o negócio
antes do NEGÓCIO propriamente dito