sexta-feira, 1 de junho de 2012

O porquê da crise...


O zoo e a selva. Estas duas realidades não se cruzam nem se complementam. Não são o produto de uma mesma. O zoo e a selva estão colocados em extremos opostos, tanto no que respeita à sua origem como à sua natureza. No primeiro, os animais, apesar de ainda serem considerados selvagens, vivem numa perfeita segurança. Tratados, climatizados, vigiados, alimentados, protegidos das intempéries e das vicissitudes da própria sobrevivência.
Não têm de caçar nem de procurar, nem de correr nem de mudar. Vivem descansados, sem medos nem receios, sem lutas nem necessidade de defesa. Tudo está adquirido e normalizado. O sistema é todo ele previsível. Horas de descanso, horas de dormir, horas de comer, de se mostrar, de recolher. Do outro lado há uma realidade diferente.

Extramuros, os animais são mesmo selvagens e divergem substancialmente no seu comportamento. A garantia não existe em nenhuma faceta da sua vida e por isso estão sempre em alerta. Precisam de lutar, defender-se, procurar, correr, percorrer, empreender. A sua sobrevivência é posta em perigo amiúde, pelo que têm de se manter treinados e sempre em movimento. Adaptação. Isso, adaptam-se às circunstâncias temporais, climatéricas, sociais e familiares. Umas vezes vencem, outras nem tanto. A vida continua, sempre com perigos à espreita. Feridos ou abalados, têm de prosseguir.

Na sociedade humana actual, particularmente em Portugal, algo de estranho parece estar a acontecer, pois a vida real, onde acontece a adaptação, a luta, a procura, a correria e o empreendorismo é como que «regulado» por quem não tem, não teve e dificilmente terá percepção do que é a «selva» do mercado.

São espécimes que vivem da máxima garantia, à custa da máxima insegurança de outros espécimes que todos os dias têm de caçar e buscar soluções para continuar o seu trajecto. Sendo assim, não seria possível outra coisa senão mesmo uma crise.