domingo, 5 de julho de 2015

A teoria do «Não há Alternativa»


O que se passa com a Grécia tem tudo a ver com o coaching. Alternativas, possibilidades, formas diferentes de ver e fazer as coisas. Todos os sistemas evoluem com alternativas, se assim não fosse não tínhamos hoje telemóveis, aviões, comboios, computadores, etc. Porque, na verdade, no momento em que se pensou neles não havia alternativa senão comunicar por carta, ir de cavalo, escrever em papel, etc. 

Ora à luz do coaching, quando se diz que não há alternativa possível, pode haver duas explicações: 

1 - Uma forte probabilidade de se estar a ganhar muito com o sistema presente. Por isso deixa estar como está que eu estou bem e isto está a funcionar para mim
2 - Uma forte probabilidade de se ter tanto medo que se escolha ficar bloqueado, à espera que a coisa se resolva por si própria. 

A discussão à volta do «sim» e do «não» da Grécia e do «não há alternativa» dos que aceitamos como dirigentes faz-me lembrar uma metáfora: 
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A História do Medo 

Num país em guerra havia um rei que, sempre que fazia prisioneiros, não os matava. Levava-os para uma sala onde havia, de um lado, um grupo de arqueiros e, do outro, uma imensa porta de ferro sobre a qual se viam gravadas figuras de caveiras cobertas de sangue e outras imagens ainda mais apavorantes. Nesta sala o rei colocava-os em círculo e dizia-lhes então:

– Vocês podem escolher entre morrer atravessados pelas flechas dos meus arqueiros ou passarem por aquela porta e serem lá trancados por mim!
Todos escolhiam serem mortos pelos arqueiros.
Ao terminar a guerra, um soldado que por muito tempo servira o rei, dirigiu-se ao soberano:

– Senhor, posso-lhe fazer uma pergunta?
– Diga, soldado.
– O que havia por detrás da assustadora porta?
– Vá lá e veja você mesmo, agora.

O soldado abre então vagarosamente a porta e, à medida que o faz, raios de sol vão entrando e iluminam o ambiente… E, finalmente, descobre, altamente surpreendido, que a porta se abria sobre um caminho que conduzia à liberdade!
O soldado admirado fica a olhar para o rei que lhe diz:

– Eu dava-lhes a escolha, mas preferiam morrer a arriscar-se a abrir esta porta...
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Tenho sempre para mim que quem diz «não há alternativa» está a querer que os outros não tenham alternativa para que ele as tenha todas. Há gente interessada que nunca se abra a porta das alternativas unicamente para os outros não terem alternativas.