terça-feira, 18 de agosto de 2015

Uma Conversa com o Possível

O Impossível já é uma Possibilidade
Num daqueles dias em que tudo parece impossível ou difícil de realizar, decidi falar com o Possível. Bastou concentrar-me e chamar por ele. «Por aqui já?», perguntei. «Sim, não me chamaste?», respondeu. E eu, «tens razão, mas não pensava que ia ser tão rápido». 

E o Possível explicou: «Eu estou em todo o lado, não tenho casa, não tenho sítio certo. Vivo em todo o lado e passo o tempo a criar possibilidades. Provoco, experimento e desafio. Não me preocupo com coisa alguma, tudo é possível e nada tenho a temer.» 

- Nada tens a temer? Como assim? Ora essa, e o Impossível? O Impossível é o teu contrário, e foi por isso mesmo que eu te chamei. Para saber como lidas com ele!...
- O Impossível é o meu contrário? Ahahahah, pelo contrário, ele é uma parte de mim... Sim, diz-se sempre que o Impossível é o meu inimigo, eu sei, mas essa entidade na realidade não existe. Admitir a sua existência é um exercício de loucura porque não se pode pensar na existência admitindo que ela também não existe. Sendo assim, só há lugar para um e esse um é o Possível... 

- Como assim?
- Não penses muito, sente, sente que não é possível o Impossível existir... A não ser na ideia do Não-Sou-Capaz, do Não-Consigo e do Não-Tenho-Jeito. Esse trio ainda não percebeu que apenas pôs uma alcunha ao medo e ao não-quero. Os três convenceram-se então que há um Impossível e que por culpa dele não conseguem, não são capazes ou não têm jeito. Dizem sempre isso como que a convencerem-se que é impossível, mas se assim fosse, não era possível o Não-Tenho-Jeito, o Não-Consigo e o Não-Sou-Capaz fazerem o que fazem e fazerem o que não fazem. O que não é possível ali é sempre possível aqui ou acolá. Por isso é sempre possível aos três tornar possível alguma coisa em algum lugar. E se não criam a possibilidade naquilo que querem, já estão a criar a possibilidade noutra coisa qualquer, mesmo naquilo que não querem.

- Não é fácil perceber, mas até parece simples.
- Pois é. Sente um pouco e verás que a impossibilidade já é uma possibilidade. Na verdade, há uma coisa que é completamente impossível: anular o possível. Porque o próprio impossível já é criar uma possibilidade. 

- Excelente. Tenho de reconhecer que quase fico sem palavras...
- O Impossível na verdade não existe, é apenas um artifício de linguagem. E o Não-Tenho-Jeito, o Não-Sou-Capaz e o Não-Consigo, ao criarem uma representação interna do Impossível criam a possibilidade de ter jeito para alguma coisa, a de não terem jeito, não conseguirem ou não serem capazes de criar o próprio impossível.

- Mas espera. Vamos lá ver um exemplo.
- Sim, mostra-me lá o teu exemplo.

- Se eu te disser que consigo ir de Lisboa ao Porto a pé em dez minutos, o que é que tu dizes?
- Bom, isso não é uma questão de possibilidade. Isso é parvoíce da tua parte neste momento. Acabaste de criar a possibilidade de dizer uma tolice neste momento. Porém, cuidado com essas crenças, porque se falasses do telemóvel a alguém há duzentos anos, se calhar irias preso ou chamar-te-iam louco... 

- Isso é uma verdade...
- O Possível é a única coisa que é possível. O Impossível é uma construção da mente na tentativa de negar a possibilidade, mas ao mesmo tempo criando uma de muitas possibilidades. Eis algumas:

1 - A justificação da mente para se descartar de algo  
     que não é do seu interesse
2 - Validar uma convicção limitadora sobre algo que 
     quer acreditar não ser capaz
3 - Procurar continuar no seu conforto atribuindo a 
     responsabilidade a algo externo, genérico e difuso: 
     o impossível

- Portanto, meu amigo, és completamente livre de acreditar no que quiseres. Mantém presente, sempre, que as crenças e as convicções que desenvolveres terão um poder absolutamente extraordinário sobre ti, porque simplesmente as vais tornar verdades na tua vida. E vais validá-las não só com palavras mas também com actos e resultados. As decisões que tomares e as escolhas que fizeres só a ti dizem respeito. E é com elas que vais construir as tuas possibilidades, as que te interessam e as que não te interessam, mesmo que lhes chames de «impossíveis». É contigo...