terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Más Vibrações ou Maçãs Podres


Sara afirmou-se uma pessoa sem sorte na vida. Invadia-a um estado de cansaço frequente que a esgotava. Tinha emprego, tinha projectos, tinha amigos e vida social. Nada conseguia desfrutar e os projectos pareciam como que encalhados. 

Convidei-a a reflectir sobre a qualidade da sua vida social. Fez uma careta, encolheu os ombros dizendo: 

- Saio muito e conheço muita gente...
- E?...
- Bom, não sei

No decorrer da sessão, Sara descobriu que conhecia muita gente e muita gente da gente que conhecia queimava-lhe a sua vibração criativa e empreendedora.

Falámos da fruteira e das maçãs. Não é conhecido que uma maçã podre tivesse ficado sã na companhia das sãs. Não é conhecido também que as maçãs sãs, na companhia das maçãs podres, tivessem permanecido sãs. 
A maçã podre apodrece as outras e por isso tem de ser logo removida da fruteira antes de parecer completamente podre. 
A maçã podre consegue criar o seu império pela complacência. Ao seu redor todas as maçãs sãs definharão até ficarem viçosamente podres. 

Ora Sara concluiu que teria de ser mais discreta quanto à divulgação dos seus projectos como também seleccionar a «gente» que conhecia. Compreendera o poder das vibrações. É que há gente com vibração diferente, compatível com outra gente.

Em apenas dois meses, Sara sentiu os resultados dos ajustamentos que fez. Até aí subestimara o poder da influência. Vibração alta, na mesma onda de possibilidade e realização e não vibração baixa da limitação e da impossibilidade.

Seleccione ambientes e pessoas com a sua vibração 

sábado, 5 de novembro de 2016

Melhor dos piores ou melhor dos melhores


Imagine-se a dividir as pessoas em três tipos: os que querem ser os melhores dos melhores; os que querem ser os melhores dos piores; os que tanto se lhes dá como se lhes deu

1 - as que querem sempre ser melhores do que elas próprias, fazendo de tudo para acrescentar um pouco mais ao que eram anteriormente. As que lêem, treinam, procuram outras que lhes possam ensinar algo, promovem conversas construtivas, são observadoras e curiosas e prontificam-se a ajudar mesmo os que consideram ter mais conhecimento. 

Comparam o desempenho que têm com o seu próprio desempenho anteriormente, num jogo de «quem sou em relação ao que era há pouco e quem quero ser amanhã». Exibem uma atitude de humildade e têm um forte amor-próprio. Desejam sobretudo ver sucesso à sua volta para fazerem parte desse campo energético. Orientam-se pelo mérito próprio e detestam a ideia de tirar crédito dos outros, pelo que estão muito focados no seu processo pessoal.

2 - as que tanto se lhes dá como se lhes deu. Não se interessam e procuram apenas fazer o que tem de ser feito no momento. Procuram essencialmente distrair-se, conviver, descontrair e procuram ajuda imediata para resolver questões imediatas. Ser melhor do que elas próprias ou melhor do que outros não está na equação. Dão-se com todos e querem apenas estar «descansadas».

3 - as que procuram ser melhores à custa das falhas dos outros. Apostam sobretudo no boicote, na crítica, no mexerico. Sofrem com o sucesso alheio, são invejosas e ciumentas e tudo fazem para o insucesso dos outros, dedicando-se muito a ajudar os que caem na sua teia de desejos destrutivos. 

Ajudam de forma a que o outro precise sempre de ser amparado. Ajudam-no a ficar dependente da sua ajuda. Perguntam-se amiúde o que podem fazer para que alguém não chegue onde quer. Caracteriza-os um sentimento de vaidade, a mascarar uma baixa auto-estima e um fraco amor-próprio. Procuram sempre tirar o crédito alheio como forma de diminuírem o outro e relevarem-se pelo que não fizeram.
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Das três apenas uma é a porta aberta. As restantes duas são portas fechadas. Faça a escolha, reflicta sobre os três estádios e identifique sinceramente onde se situa.


O que lhe faz lembrar em si cada uma das três descrições. Qual a melhor descrição de si?

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A surdez autoritária...


Paulo chegou à sessão a queixar-se da incapacidade da equipa em tornar-se produtiva. Que era sempre ele a dizer tudo, que os outros ficavam calados como se estivessem muito atentos, mas depois não faziam o que lhes pedia.
Paulo pedia soluções para lidar com a situação e sobretudo como pôr a equipa a trabalhar. Afinal de contas, ele era o líder e estava cansado de ter de dizer tudo e ainda por cima a arcar com as «culpas».
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AUTORIDADE está para a EMISSÃO 
como a SUBALTERNIDADE está para a RECEPÇÃO
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Só no terceiro encontro Paulo descobriu que ele próprio tinha o seu aparelho receptor como que avariado, enquanto o emissor tinha funcionamento permanente. 

Ora a capacidade de comunicar está dependente de duas funções básicas: emissão e recepção. O indivíduo que coloca estas duas funções em funcionamento será líder. O problema surge quando alguém quer ser líder e automaticamente desliga a função de recepção, ficando apenas deslumbrado com a emissão de mensagens.

Paulo percebeu então que, em vez de líder, era um indivíduo autoritário, por isso mesmo com a função emissora desenvolvida e a receptora sucessivamente... surda. 

Paulo também descobrira que não tinha propriamente uma equipa, tinha sim um conjunto de seguidores, assumidamente subalternos, que aceitaram desenvolver a função receptora e calar em definitivo a emissora. Utilizavam esta apenas para proferir vocábulos básicos de aceitação.
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Sendo emissão e recepção funções de comunicação, só com as duas poderá haver processamento de informação e, por conseguinte, troca de conteúdo. Por recepção entende-se a competência de processar a mensagem do outro na sua amplitude total, por forma a devolver algo no interesse das partes.

Paulo então prometeu a si mesmo trabalhar na função de recepção e traçou desde logo um plano de acção que passava por diminuir a actividade emissora e por isso mesmo calar mais a sua boca. Só assim poderia trabalhar as competências de líder.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Liderança e Hierarquia


Liderança é uma palavra fustigada por uma mistura de conceitos contraditórios associados a hierarquia. Pois bem, aqui vai esta reflexão sobre hierarquia e liderança:

HIERARQUIA
1 - Há alguém que manda e paga ao mandado, que aceita ser mandado a troco de dinheiro ou recompensa. Sendo que vê nisso e tira disso alguma vantagem ou proveito.

2 - Alguém que exerce um poder coercivo sobre o outro, tornando-o mandado, a troco de nada ou de um valor irrisório. O mandado aceita ser mandado (ou escravizado) contra-vontade, como estratégia de sobrevivência, com a esperança de que algo mude para melhor no futuro.

Em ambas as situações, a hierarquia chama a si statu e posição que lhe dão poderes e a ideia de coerção.

LIDERANÇA
A liderança não é dependente da hierarquia, podendo estar porém contida num sistema hierárquico (daí a confusão).

O líder não manda, não dá ordens, não exerce coerção, não usa artifícios sociais e variações de humor (retaliação, tornar pessoas invisíveis, birra, etc.) para que outros façam o que pretende. Pelo contrário...

O líder é. Ponto. A sua envolvente humana é formada por aqueles que o admiram e que, por vontade própria, permanecem perto. Sabendo que, se um dia não quiserem estar a seu lado, têm a liberdade para partir, livres e leves, não sendo alvos de arremessos ou ressentimento.

Aqui há também statu e posição, só que reconhecidos pelos outros, dissociados da figura de coerção.

EM RESUMO
Enquanto a liderança está focada na Missão, o sistema hierárquico está focado nele próprio, por isso na Obediência dos outros. Quando a obediência não existe, esvazia-se o sistema hierárquico, seus níveis e mecanismos. 
Neste sistema, todos os níveis hierárquicos necessitam de validação dos outros, pelo que, quando não a têm, exercem coerção para a ter. O formato é o COMANDO e a certeza adquirida.

Já quando o líder não dispõe da envolvente humana, muitas vezes apelidada de seguidores, a missão não termina, pelo contrário.
Liderança não são artifícios de linguagem (nós, vamos, todos, etc.). É, isso sim, atitude permanente e a ausência total de necessidade de aprovação exterior. O formato é a PERGUNTA e a procura de possibilidades.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

«Não me perguntam se amo ou se estou feliz...»


O caminhante sorridente parou para beber um gole de água. E logo uma mulher lhe perguntou «como consegue estar tão feliz e descontraído, dentro dessas roupas mal-amanhadas e perante este mundo de pessoas que o desdenham? Como é que ganha a vida, afinal?»

O caminhante, imperturbável e mantendo o sorriso nos lábios, respondeu: «Pergunta-me o que faço e o que ganho na vida? Quer saber quanto ganho, quanto gasto, onde trabalho, o que tenho, adquiri ou comprei...
Poderia perguntar-me se sou feliz, se estou satisfeito, se estou motivado, se faço o que gosto, se vivo com gosto, se amo e se sou amado, se rio, se me divirto, se aprendo. 

Porém, amigável senhora, prefere indagar sobre o dinheiro que ganho, a posição que ocupo, o statu que tenho. Presumo que se não responder irá insistir com um eventual «quem é você, afinal?», como se eu fosse aquilo que não sinto, sendo apenas o dinheiro que ganho, as coisas que tenho e o lugar que ocupo. Olhe, sou feliz, aprendo, amo e sou amado.

«Sim, correcto, porém o dinheiro é importante, sem dinheiro nada faz», insistiu mesmo assim a mulher.

E o caminhante, sempre sorrindo, respondeu: «O rendimento está implícito, sempre, sempre. Será preciso mencioná-lo? Que espécie de tolo acha que pode viver negando o dinheiro, algo que lhe dá acesso ao que gosta e ao que precisa e que é, por si só, uma energia poderosa?»

E a mulher ficou pasmada perante o caminhante, que decidiu partir calmamente olhando a mulher e dizendo:

«Enfim, sou feliz»

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Como está o seu Círculo de Intimidade?

O exemplo de um círculo de intimidade 
Cláudia apresentou-se na sessão muito preocupada com a sua vida. «Há alguma coisa que... não sei, não me deixa seguir, me bloqueia. Tenho projectos, tenho habilitações, começo a planear, mas logo depois... Nada. É estranho porque tenho muitos amigos, tenho família, tenho muitas pessoas conhecidas, dou-me bem com os meus colegas de trabalho. Não há razão para me sentir assim...»

Há uma razão subtil, quase que invisível. É que no círculo de intimidade de Cláudia estavam presentes pessoas que simplesmente deveriam estar fora dele. A presença dessas pessoas bloqueavam todos os processos de Cláudia. Auto-estima, comunicação, projectos, bem-estar, capacidade de decisão... 

Abra os seus braços e imagine uma circunferência à sua volta. 
Esse é o seu Círculo de Intimidade

Assim que reorganizou o seu círculo, Cláudia passou a sentir mais independência e os assuntos começaram a fluir mais rapidamente. Estabelecer a que distância deve estar cada pessoa é um trabalho que começa na mente. 

Estranho? Pense um pouco. A importância ou valor que atribui a cada pessoa começa na sua mente e assim que decidir a que distância, na sua mente, essa pessoa deve estar de si, a relação que tem com ela altera-se sem que a pessoa note conscientemente. 

Experimente: Feche os olhos e chame 4 pessoas da sua vivência. Anote de onde elas surgem mentalmente e a que distância se encontram. Estão dentro ou fora do seu círculo de intimidade? Sente-se confortável com a posição ocupada por essas pessoas?

Duas dicas
- Se surgiram em posição frontal podem ser obstáculo e assumem grande importância. 
- Se surgiram atrás de si podem ser ameaça ou apoio? Como sente?
- Se estão junto a si, provavelmente são muito importantes, como pais, filhos, esposos ou esposas. Mas se não forem pessoas com esse grau de parentesco, então algo pode estar a influenciar a sua vida. 

Em todo o caso, é na sua mente que tudo se passa. E depois esse tudo manifesta-se em termos físicos e factuais. Ao alterar a posição, altera também a sua comunicação relação interpessoal.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Viagem ao Interior do Tudo...


Depois de um dia mundano e agitado, todo o sistema se move para a experiência extraordinária prestes a iniciar-se. Os órgãos preparam-se, predispondo-se para o que se segue.
O corpo ajeita-se, toma o seu lugar, acomoda-se, enquanto se traz à consciência os pormenores subtis das articulações arrumando-se. A luz apaga-se, uma sonoridade tranquila, levemente soprada, revela o início.

Uma voz grave indica pausadamente a sequência de passos. Mentalmente, a viagem começa, mas o destino é desconhecido. Ou, por outra, o destino é a viagem sem ponto de chegada. É esse o propósito. Mente e corpo embalam numa sequência de sensações, contracções e movimentos alternados e a paisagem dos sentidos alarga-se. Cada viajante entrega-se à sua própria maneira e dá-se conta do que se passa no seu mundo interior, alheando-se da envolvente.

A cadência respiratória abranda, o som interno silencioso facilita o mergulho, os movimentos unem-se com a neurologia. Os corpos movimentam-se num mesmo espaço, mas a viagem de cada um deles é diferente, mesmo sabendo que a geografia humana é comum.

Apura-se o foco e dá-se conta da presença dos dedos, das mãos, dos braços. Num momento seguinte nota-se a presença das pernas e dos pés. Num outro verificam-se ombros, pescoço e cabeça. Logo de seguida o peito subindo e descendo, tal como o abdómen, ao ritmo da respiração. Anota-se a vida pulsando. Pouco a pouco, a viagem desafia o equilíbrio, a concentração e a determinação. A ligação entre inconsciente e consciente cria como que um campo uniforme e comum dos indivíduos presentes.

A viagem está a meio quando mente e corpo se ligam num só, conscientes da sua unidade. Preparam-se para o ponto de viragem em direcção ao Tudo. O corpo derrama-se no solo, o tráfego mental é sereno. O olhos fecham-se e cada indivíduo sente imergir o Tudo.
Cada viajante sente o profundo silêncio interior por detrás do novo som metálico contínuo. E fica consciente do movimento interno de realidades celestiais ao ritmo das rotações audíveis. É o ponto nuclear da viagem, o momento em que se passa pelo interior do tudo, permanecendo aí num longo e cândido momento. A sensação de que duas dimensões estão ligadas, uma material e sensitiva, outra espiritual e energética...

Momentos passam, momentos que representam lapsos temporais diferentes. O universo em toda a sua existência para o viajante. Voltemos. sim, regressemos ao «espaço ocupado pelo corpo» é a indicação que chega. Cumpre-se, o consciente activa-se, a mente vai despertando...

A pouco e pouco, mente e corpo ensaiam o regresso ao estado inicial, agora em slow motion. Os viajantes acordam, movem-se, espreguiçam-se, oxigenam e sussurram em coro: namaste

Sim, a sessão de ioga com relaxamento está concluída. Cada viajante, cada indivíduo, cada participante, despede-se dos seus semelhantes e retorna ao ritmo cultural e socialmente instalado. Voltará, por certo, para repetir a viagem ao interior do Tudo, com a pura certeza que será diferente...

Obrigado Inês Zorro

domingo, 31 de julho de 2016

O Recipiente e o Conteúdo...

O conteúdo é a essência da identidade

Imagine que lhe oferecem estes dados sobre três candidatos para liderar o país ou até a Europa. Faça a sua escolha.

·         Candidato A associa-se com políticos desonestos e consulta astrólogos. Teve duas amantes, fuma cigarro atrás de cigarro e bebe em média dez martinis por dia.

·         Candidato B foi expulso da escola duas vezes, antes de se ter formado consumia ópio, dorme agora até ao meio-dia e bebe cerca de um litro de uísque todas as tardes.

·         Candidato C é um herói condecorado. É vegetariano, não fuma, bebe cerveja apenas ocasionalmente e não tem qualquer relação extramarital.
  
Por qual dos candidatos optaria? Faça a sua escolha antes de consultar o verdadeiro conteúdo.

Parabéns por ter feito a sua opção de acordo com os dados que lhe foram mostrados. Muitas vezes temos de tomar decisões difíceis com pouca informação disponível. Atente que será sempre de extrema valia procurar o conteúdo, não se deixando iludir pelo recipiente, que pode ser estético, belo, adequado e muito atractivo. Admita que o recipiente não define o conteúdo. 
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Candidato A – Franklin Roosevelt 
Candidato B – Winston Churchill / Candidato C – Adolf Hitler

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Coaching e Não-Coaching


Mais do que uma actividade, o Coaching é uma arte

Definições há a gosto, basta procurar na internet. Se quer perceber exactamente o que é coaching, leia as duas frases seguintes:

1 – Fazer com que os outros façam aquilo que desejam e sonham, a partir da sua própria experiência

2 – Fazer com que os outros façam o que pretendo e desejo, de acordo com o meu interesse e a minha própria experiência

Em qual dos dois conceitos está contido o coaching? Provavelmente acertará mencionando o primeiro. E porque é que a maior parte das actividades humanas se baseiam no segundo conceito? Porque provavelmente estamos rotinados em apenas considerar o que queremos e não o que é querido pelos outros.

Ficamos preenchidos quando é a nossa ideia que prevalece, quando é feita a nossa vontade, quando os outros fazem o que esperamos deles. 

E é precisamente por este factor que o Coaching é uma actividade diferente e, de alguma forma não é para todos. Não por não terem capacidades, mas por não terem vontade de ter essas capacidades. Que é a de estar ao serviço do outro, em aceitação. O que implica alguns atributos especiais:

Fazer perguntas - Manter expressão facial neutra - Sempre considerar os semelhantes adequados - Aceitar o modelo do mundo da outra pessoa 
- Ter a certeza de que o outro tem os recursos necessários

O que implica também:
Ausência de juízos de valor - Não julgar - Não sugerir 
- Não opinar - Não criticar 

O Coaching trabalha do presente para o futuro, com a experiência do cliente, e este assume a responsabilidade do seu processo. Lembre-se que o coaching, mais do que uma actividade, é uma arte.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Trabalhar o Objectivo é Trabalhar as Emoções Ligadas ao Objectivo...

Trabalhar as emoções ligadas ao objectivo é fulcral...

O Paulo tinha um objectivo muito concreto e, como era algo importante para ele, tratou de colocar tudo no papel. O quê, datas e passos a dar. Visualizou o que queria e como queria. Criou uma imagem bem atractiva do seu objectivo, da sua ambição. Bem nítida, bem detalhada, bem vívida. 

O Paulo criou a ideia, tomou a decisão e passou à acção. Estava determinado. Bastava percorrer agora o caminho, cumprir os passos e chegar ao que queria, vitorioso.

No seu percurso, o Paulo deu-se conta da quantidade de objecções ao seu projecto. Umas surgiam do contexto, do exterior. Outras, mais fortes, vinham de dentro de si. Enfim, materializavam-se na desmotivação, na dúvida, na hesitação. A descrença começou a crescer e o Paulo abrandou. 

A imagem que havia criado não correspondia ao que estava a atravessar. A visualização final afigurava-se incongruente com a viagem. E assim do abrandamento passou à distracção, da distracção passou à desistência e aí instalou-se aquela sensação de frustração. «Deixa, possivelmente não era para mim...», encerrou assim o processo.
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Ao mesmo tempo que trabalha objectivos, sinta antecipadamente as emoções ligadas a todo o processo. Não só as que estão ligadas à meta final. Passo a passo, veja, ouça e sobretudo sinta as emoções ligadas a cada passo do caminho. 

Chama-se a isto Trabalhar o Objectivo e Trabalhar as Emoções Ligadas ao Objectivo. Porque objecções, obstáculos e dificuldades sempre haverá. E a cada passo estão lá emoções. Umas gratificantes outras talvez não tão agradáveis, porém importantes. Ao não estar preparado para viver essas emoções, não estará preparado também para seguir em frente...

terça-feira, 19 de julho de 2016

O mito do «controlo emocional»

Não «reprima» emoções, reconheça-as e aprenda com elas...
Uma das maiores bandeiras dos cursos de liderança é que «o líder tem controlo sobre as suas emoções». E depois discorre-se sobre a qualidade de «gerir emoções». Não tenho dúvida de que é sempre impactante dizer este tipo de coisas. Porém, temos um problema, que é grave:

Se controla as suas emoções isso é o mesmo que dizer que as reprime. Se o faz muitas vezes e continuadamente, a breve trecho irá sofrer de ansiedade, depressão, podendo passar a ser um dia um caso de psiquiatria.

As emoções são informações que recebemos das nossas profundezas. Tal qual os sentidos da visão, da audição ou do tacto nos fornecem dados sobre o que sucede à nossa volta, também as emoções nos dão indicações sobre o que se passa. A intensidade das emoções (mais fortes ou mais ténues) dizem sobre o quão importante para nós é o que está a suceder num determinado momento. Deve, pois, reconhecer cada uma das sua emoções e debruçar-se sobre o que elas representam. Se ignora, reprimindo-as, fica algo por resolver ou uma aprendizagem em atraso, por fazer... Que ficará sempre em stand-by, até se decidir a fazer o seguinte: deixar a emoção partir retirando dela a aprendizagem contida. 

Abrace a sua emoção e retire dela a aprendizagem...
Se ainda duvida, imagine o que seria «controlar» a visão. Estar a ver um quadro verde à sua frente e a dizer a si mesmo/a que controla o que está a ver... Ou tentar convencer-se de que está a controlar o que ouve. Pois... Com as emoções é o mesmo. Não se controlam.

O que pode fazer, em última análise, é ignorar (reprimir) por um momento a emoção que está a ter para sobreviver a uma situação social, por hipótese (temporariamente). Agora se isso é um hábito continuado, vai confrontar-se com a chamada neurose, que, simplificando, configura uma dificuldade em lidar com emoções.

(A prática do mindfulness ou do ioga facilita o processo de ligação com emoções, afectos e sentimentos)

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Humildade «embaça» França


França teve toda a expectativa, Portugal teve toda a humildade. França teve a certeza, Portugal teve a possibilidade. França teve o truque, Portugal teve a solução. No fim, as expectativas morreram às mãos da humildade, as certezas faleceram face às possibilidades e os truques pereceram perante as soluções...

As expectativas são tramadas. São verdades que se instalam antes de serem verdades. Saem furadas... E depois deixam aquele sabor amargo que os franceses não conseguem dissipar. Nem as mais altas instâncias conseguiram desta vez engolir, mesmo capacitadas a fazer os maiores golpes de rins, treinadas a engolir grandes e gordos sapos... Foi de mais para a sua capacidade.

A EXPECTATIVA foi tanta que embaciou a mente, a diplomacia e todo o sentido ético gaulês. A HUMILDADE apresentou-se indigesta e embaçou os franceses.

A vitória da HUMILDADE é uma das grandes lições do Europeu. Não propriamente de futebol, mas sim de vida. A vitória do foco de uma equipa, de um líder e de um capitão sobre os arremessos dos especialistas das certezas.

Uma grande vitória da elegância, da humildade, da paciência, do foco e da boa-educação.

Obrigado por tão bela e completa lição de vida

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O Inabalável Poder da Aceitação


O momento foi marcante. Depois daquela pergunta, «Mas o que é que eu hei-de fazer?...», a resposta surgiu automática, «Aceita o que está a acontecer. Liberta-te e encontrarás caminhos...»

E o monge continuou sussurrando, como se de um mantra se tratasse:

«O caminho da liberdade e do bem-estar pleno está inscrito no mapa da Aceitação. Lidera o teu estado de espírito reconhecendo o que se passa, o que acontece e aceitando que assim é. Ganharás a consciência de que o facto é o acontecimento e aceitando-o terás o caminho aberto e todas as escolhas à tua disposição para continuar... Com o conhecimento e a experiência que te foram oferecidas. Se não aceitares, não aprendes. Se aceitares poderás considerar-te sábio. A luta e o debate, sejam físicos ou mentais, desperdiçam a fonte energética, física e mental.

A aceitação tem o poder inabalável de construir o que vai ser, reconhecendo como aprendizagem aquilo que foi. Não se debate com O que devia ter sido, Podia ter acontecido ou o Se tivesse sido de outra forma... Ela é inabalável pela sua serenidade e respeito pelo que sucedeu.»

E a partir daquele momento o caminhante iniciou a sua experiência de Aceitação. A serenidade visitou-o para ficar e a criatividade, a alegria e a confiança acompanharam-na. O poder inabalável da aceitação é a maior das qualidades humanas... 
E o caminhante fez o seu progresso, olhando em frente e confiando no que é e no que vai ser, com a certeza de que as escolhas estão sempre em aberto. Tornou-se inabalável.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Fonte Inesgotável do Amor


No ponto mais profundo de ti há uma fonte inesgotável de amor disponível para te guiar. Dá-lhe atenção, olha para dentro e identifica essa energia.

Ele sentia um vazio interior, mas acreditou sempre que a sua fonte de amor estava activa e mais dia menos dia iria guiá-lo. Ela sentia um vazio interior e acreditava que a sua fonte estava inactiva e nada mais haveria a fazer.
E um dia aconteceu um milagre. Foram vários milagres que geraram o último dos milagres, a manifestação do amor que um e outro ainda sentiam. Ele tinha sempre acreditado, ela nem tanto, mas ali estavam agora acedendo, os dois, à fonte inesgotável de amor disponível.

Sem dizer nada um ao outro, deixaram os acontecimentos correr ao sabor do tempo e das circunstâncias. Sem juízos de valor, sem julgamentos, sem lutas ou debates. À medida que conversavam, davam-se conta da sua fonte. As emoções, os sentimentos, as sensações. Desfrutavam em silêncio e tranquilamente das expressões, dos sorrisos, dos gestos, dos suspiros.

Observavam-se, ouviam as suas palavras e desfrutavam das sensações que os sentidos lhes proporcionavam. Viajavam um no outro e um com o outro, num acto particular e muito íntimo, apesar de estarem num lugar público, um restaurante prenhe de gente faladora.

Nada lhes tirou a concentração que mantinham, porque se alimentavam um do outro para «escutar» as suas próprias sensações mais subtis.
Sem se aperceberem, tinham acedido à fonte inesgotável de amor disponível e ali se decidiram a navegar.

Ao concluírem a refeição, os seus sentidos preenchidos e em alerta estavam agora inebriados com a própria presença física. A fonte de amor dava-lhes uma tranquilidade e uma paz e assim os seus olhos manifestavam ternura e fascínio mostrando um brilho exuberante.

Navegando na sua fonte inesgotável de amor, assim se abraçaram desfrutando do calor que trocavam. O amor de cada um fundia-se agora num só e aí sim, deram-se conta que aquele milagre fora precedido de outros tantos... Seguiram assim abraçados e navegando na fonte inesgotável de amor e cura.

Os milagres acontecem numa sucessão de eventos, encadeados no tempo, tal qual um colar de pérolas. Sobretudo ama-te. Sê paciente. Os milagres estão sempre presentes.


terça-feira, 1 de março de 2016

Identidade é liderança


Directo à questão: Quem quer o poder é provavelmente o indivíduo menos equipado para exercer funções de liderança. Os líderes são líderes não por se candidatarem a líderes, mas sim porque têm características próprias de carisma e capacidade de realização. 

Bill Gates (Microsoft), Steve Jobs (Apple), Albert Einstein (cientista), Mark Zuckerberg (Facebook), Stephen Hawking (cientista) e tantos outros não foram candidatos ao poder. Pelo contrário, afirmaram o seu poder pelo que criaram, pelo que fizeram e pelo seu magnetismo pessoal. 

O poder de influenciar, de dar o exemplo, de inspirar. Sem coerção, sem espalhafato, sem exercício de vaidade. Quantos candidatos ao poder realizam tanto como os verdadeiros líderes, que nem precisam de candidatar-se seja ao que for

Ah, sim, é preciso um atributo essencial: IDENTIDADE. Afirmar a sua própria identidade pode ser ofensivo para os outros. Saber dizer e manter o «não» não é simpático para quem deseja seguidores. Ser muito mais do que um simples ser obediente é um exercício de coragem e determinação. A coragem de abdicar das regras que outros querem impor, a troco de uma prometida protecção.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Viver MELHOR?...

O que é viver melhor?
Viver melhor é o produto do momento, o assunto na ordem do dia, talvez um dos serviços mais vendidos, uma das ideias mais difundidas. E o que é VIVER MELHOR? A questão principal não está no «Viver», mas sim no «Melhor». Não sei o que é «Melhor» porque o conceito é amplo, genérico e vago. Para mim... 

Viver melhor É...

1 - tornar-me inabalável
2 - manter-me mentalmente saudável face a momentos críticos
3 - seguir em frente com mais força quando me criticam
4 - considerar vampiros emocionais como combustível para perseverar
5 - saber que em cada esquina há tanto oportunidades como desafios, há perigos e ameaças, depende da forma como eu quiser ver a situação
6 - saber transformar o desagradável em agradável
7 - aceitar as minhas emoções, inclusive as que digo não gostar
8 - saber que em cada encontro há uma escolha a fazer
9 - saber que em cada relação posso decidir alimentá-la ou não
10 - sentir cada vivência e experiência como minha
11 - decidir que eu sou responsável pela minha vida
12 - saber que posso mudar quando quiser, onde quer que esteja 

Viver melhor NÃO É...

1 - comprar produtos ou serviços
2 - agradar aos outros para ser aceite
3 - abdicar das minhas opiniões porque alguém o deseja
4 - ser simpático por obrigação
5 - dizer «sim» quando quero dizer «não»
6 - ceder quando insistem ou me «agridem»
7 - achar que os outros é que têm razão 
8 - adiar os meus projectos por não gostarem
9 - aceitar que «tenho» ou «devo» em vez do «quero»