terça-feira, 19 de julho de 2016

O mito do «controlo emocional»

Não «reprima» emoções, reconheça-as e aprenda com elas...
Uma das maiores bandeiras dos cursos de liderança é que «o líder tem controlo sobre as suas emoções». E depois discorre-se sobre a qualidade de «gerir emoções». Não tenho dúvida de que é sempre impactante dizer este tipo de coisas. Porém, temos um problema, que é grave:

Se controla as suas emoções isso é o mesmo que dizer que as reprime. Se o faz muitas vezes e continuadamente, a breve trecho irá sofrer de ansiedade, depressão, podendo passar a ser um dia um caso de psiquiatria.

As emoções são informações que recebemos das nossas profundezas. Tal qual os sentidos da visão, da audição ou do tacto nos fornecem dados sobre o que sucede à nossa volta, também as emoções nos dão indicações sobre o que se passa. A intensidade das emoções (mais fortes ou mais ténues) dizem sobre o quão importante para nós é o que está a suceder num determinado momento. Deve, pois, reconhecer cada uma das sua emoções e debruçar-se sobre o que elas representam. Se ignora, reprimindo-as, fica algo por resolver ou uma aprendizagem em atraso, por fazer... Que ficará sempre em stand-by, até se decidir a fazer o seguinte: deixar a emoção partir retirando dela a aprendizagem contida. 

Abrace a sua emoção e retire dela a aprendizagem...
Se ainda duvida, imagine o que seria «controlar» a visão. Estar a ver um quadro verde à sua frente e a dizer a si mesmo/a que controla o que está a ver... Ou tentar convencer-se de que está a controlar o que ouve. Pois... Com as emoções é o mesmo. Não se controlam.

O que pode fazer, em última análise, é ignorar (reprimir) por um momento a emoção que está a ter para sobreviver a uma situação social, por hipótese (temporariamente). Agora se isso é um hábito continuado, vai confrontar-se com a chamada neurose, que, simplificando, configura uma dificuldade em lidar com emoções.

(A prática do mindfulness ou do ioga facilita o processo de ligação com emoções, afectos e sentimentos)