quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A surdez autoritária...


Paulo chegou à sessão a queixar-se da incapacidade da equipa em tornar-se produtiva. Que era sempre ele a dizer tudo, que os outros ficavam calados como se estivessem muito atentos, mas depois não faziam o que lhes pedia.
Paulo pedia soluções para lidar com a situação e sobretudo como pôr a equipa a trabalhar. Afinal de contas, ele era o líder e estava cansado de ter de dizer tudo e ainda por cima a arcar com as «culpas».
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AUTORIDADE está para a EMISSÃO 
como a SUBALTERNIDADE está para a RECEPÇÃO
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Só no terceiro encontro Paulo descobriu que ele próprio tinha o seu aparelho receptor como que avariado, enquanto o emissor tinha funcionamento permanente. 

Ora a capacidade de comunicar está dependente de duas funções básicas: emissão e recepção. O indivíduo que coloca estas duas funções em funcionamento será líder. O problema surge quando alguém quer ser líder e automaticamente desliga a função de recepção, ficando apenas deslumbrado com a emissão de mensagens.

Paulo percebeu então que, em vez de líder, era um indivíduo autoritário, por isso mesmo com a função emissora desenvolvida e a receptora sucessivamente... surda. 

Paulo também descobrira que não tinha propriamente uma equipa, tinha sim um conjunto de seguidores, assumidamente subalternos, que aceitaram desenvolver a função receptora e calar em definitivo a emissora. Utilizavam esta apenas para proferir vocábulos básicos de aceitação.
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Sendo emissão e recepção funções de comunicação, só com as duas poderá haver processamento de informação e, por conseguinte, troca de conteúdo. Por recepção entende-se a competência de processar a mensagem do outro na sua amplitude total, por forma a devolver algo no interesse das partes.

Paulo então prometeu a si mesmo trabalhar na função de recepção e traçou desde logo um plano de acção que passava por diminuir a actividade emissora e por isso mesmo calar mais a sua boca. Só assim poderia trabalhar as competências de líder.