quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Liderança e Hierarquia


Liderança é uma palavra fustigada por uma mistura de conceitos contraditórios associados a hierarquia. Pois bem, aqui vai esta reflexão sobre hierarquia e liderança:

HIERARQUIA
1 - Há alguém que manda e paga ao mandado, que aceita ser mandado a troco de dinheiro ou recompensa. Sendo que vê nisso e tira disso alguma vantagem ou proveito.

2 - Alguém que exerce um poder coercivo sobre o outro, tornando-o mandado, a troco de nada ou de um valor irrisório. O mandado aceita ser mandado (ou escravizado) contra-vontade, como estratégia de sobrevivência, com a esperança de que algo mude para melhor no futuro.

Em ambas as situações, a hierarquia chama a si statu e posição que lhe dão poderes e a ideia de coerção.

LIDERANÇA
A liderança não é dependente da hierarquia, podendo estar porém contida num sistema hierárquico (daí a confusão).

O líder não manda, não dá ordens, não exerce coerção, não usa artifícios sociais e variações de humor (retaliação, tornar pessoas invisíveis, birra, etc.) para que outros façam o que pretende. Pelo contrário...

O líder é. Ponto. A sua envolvente humana é formada por aqueles que o admiram e que, por vontade própria, permanecem perto. Sabendo que, se um dia não quiserem estar a seu lado, têm a liberdade para partir, livres e leves, não sendo alvos de arremessos ou ressentimento.

Aqui há também statu e posição, só que reconhecidos pelos outros, dissociados da figura de coerção.

EM RESUMO
Enquanto a liderança está focada na Missão, o sistema hierárquico está focado nele próprio, por isso na Obediência dos outros. Quando a obediência não existe, esvazia-se o sistema hierárquico, seus níveis e mecanismos. 
Neste sistema, todos os níveis hierárquicos necessitam de validação dos outros, pelo que, quando não a têm, exercem coerção para a ter. O formato é o COMANDO e a certeza adquirida.

Já quando o líder não dispõe da envolvente humana, muitas vezes apelidada de seguidores, a missão não termina, pelo contrário.
Liderança não são artifícios de linguagem (nós, vamos, todos, etc.). É, isso sim, atitude permanente e a ausência total de necessidade de aprovação exterior. O formato é a PERGUNTA e a procura de possibilidades.