sexta-feira, 14 de outubro de 2016

«Não me perguntam se amo ou se estou feliz...»


O caminhante sorridente parou para beber um gole de água. E logo uma mulher lhe perguntou «como consegue estar tão feliz e descontraído, dentro dessas roupas mal-amanhadas e perante este mundo de pessoas que o desdenham? Como é que ganha a vida, afinal?»

O caminhante, imperturbável e mantendo o sorriso nos lábios, respondeu: «Pergunta-me o que faço e o que ganho na vida? Quer saber quanto ganho, quanto gasto, onde trabalho, o que tenho, adquiri ou comprei...
Poderia perguntar-me se sou feliz, se estou satisfeito, se estou motivado, se faço o que gosto, se vivo com gosto, se amo e se sou amado, se rio, se me divirto, se aprendo. 

Porém, amigável senhora, prefere indagar sobre o dinheiro que ganho, a posição que ocupo, o statu que tenho. Presumo que se não responder irá insistir com um eventual «quem é você, afinal?», como se eu fosse aquilo que não sinto, sendo apenas o dinheiro que ganho, as coisas que tenho e o lugar que ocupo. Olhe, sou feliz, aprendo, amo e sou amado.

«Sim, correcto, porém o dinheiro é importante, sem dinheiro nada faz», insistiu mesmo assim a mulher.

E o caminhante, sempre sorrindo, respondeu: «O rendimento está implícito, sempre, sempre. Será preciso mencioná-lo? Que espécie de tolo acha que pode viver negando o dinheiro, algo que lhe dá acesso ao que gosta e ao que precisa e que é, por si só, uma energia poderosa?»

E a mulher ficou pasmada perante o caminhante, que decidiu partir calmamente olhando a mulher e dizendo:

«Enfim, sou feliz»