sexta-feira, 9 de abril de 2010

Pessoas que vivem fora do país são mais criativas

William Maddux, professor assistente do INSEAD de comportamento organizacional, concluiu num estudo que as pessoas que vivem fora do país são mais criativas.

Aparentemente, a correlação directa é difícil de ser aferida, mas uma vela, uma carteira de fósforos e uma caixa de tachas levou a esta conclusão. Maddux baseou-se nos estudos de Karl Duncker, psicólogo da Gestalt, em 1945. No que consiste?
É pedido a um conjunto de pessoas que consiga colocar a vela na parede, acendê-la, garantindo que a cera derretida não verta para o chão.
No estudo de Maddux, 60% das pessoas que viviam ou viveram fora do país acertaram na resolução, que consistia em aproveitar a caixa das tachas, pregá-la na parede com uma tacha (ver imagem), acendendo a vela, fixando-a na caixa derretendo um pouco de cera. Dos que viviam no país, só 42% conseguiram a resolução.
A criatividade reside no facto de se utilizar um objecto, a caixa, para uma função diferente daquela que não lhe é destinada.

Novas experiências, desafios adaptativos,
aprendizagem de línguas e idade são determinante
Maddux completa ainda que o facto de as pessoas expatriadas enfrentarem um esforço de adaptação a novos hábitos e culturas e a barreira da língua os tornam mais criativos. A idade acaba por ter importância, pois, segundo Maddux, é na juventude que a propensão para aprendizagem de línguas é mais consistente.
Outra correlação interessante é entre a criatividade e o empreendedorismo, pelo que a experiência no estrangeiro atrai a empreender.

A capacidade para gerar confiança

Becky Quick é colunista na revista Fortune e num dos seus artigos partilha connosco uma preocupação comum. A falta de confiança e a falta de sentido de responsabilidade.

Sobre a crise internacional, Becky constata, como nós, que foi gerada pelas altas instâncias da indústria, da finança e dos governos.
«Todos nós aprendemos, desde o infantário, que quando magoamos alguém devemos pedir desculpa. Mas os senhores da indústria parece terem esquecido a regras da decência. Em vez de admitirem os seus erros, preferem negar, enganar ou ignorar (...)»

E continua: «A força de uma economia global depende da confiança nas instituições e na habilidade destas em confiar também (...).»
Um bom exemplo de recuperação dessa confiança foi a atitude do CEO Lloyd Blankfein, da Goldman Sachs, que declarou: «We participated in things that were clearly wrong and have reason to regret. Our reputation is very important to us...»

Este pedido de desculpas não mata ninguém, pelo contrário, pode fazer a diferença e recuperar o nome e a reputação da marca.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Como fazer para ter mais sucesso...



O que é fácil fazer é também fácil... não fazer. Repetição, repetição, repetição. A pergunta de Jim Cathcart: «Como é que a pessoa que eu gostava de ser faria as coisas que devo fazer?». Um primeiro passo para o sucesso. Todos os dias, lembrem-se desta pergunta e façam-na a si mesmos.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Máximas decadentes IV

«ISSO É MÁ POLÍTICA!»

Tive um chefe que dizia muitas vezes esta frase, «Eh, pá, isso é melhor não... É má política». E assim continuou sempre. Tudo o que os outros diziam, propunham, sugeriam era sempre «má política!».
Melhoramento de processos de trabalho era «má política!», nos relacionamentos entre colaboradores «era má política!». Enfim, todas as reuniões em que havia participação acabava sempre com um fatídico «é má política!». E às vezes rematava: «Eu depois resolvo, eu é que sou o chefe, não é? Eu é que tenho de decidir.»

Que acontecia depois? Bom, não havia implementação de novas formas de trabalhar. Se existiam eram implementadas por ele próprio, com as suas ideias ou por deformação das sugestões que tinha ouvido. E porquê? Porque fazendo à maneira dele assegurava assim o seu lugar, o seu estatuto. Quando as coisas corriam mal, e corriam sempre, culpava os colaboradores de não terem compreendido bem ou de estarem com má vontade. Pois é, era tudo «má política!» porque para ele tudo se resumia a uma questão de política... de manutenção da sua posição. E a tendência era a de reproduzir comportamentos em vez de gerar novos e procurar o diferente sem... política. 

A empresa entretanto foi vendida, e este chefe perdeu 2/3 da equipa e também o seu gabinete. A «má política!» da sua gestão levou-o a descer na hierarquia da importância junto dos seus pares.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Máximas decadentes III

«PÔR TUDO NA ORDEM»
«Pôr tudo na linha»

Esta é das que mais gosto. «Se eu fosse chefe, punha isto tudo na ordem»; «Eles precisam é de ser postos na linha»

Quando está tudo na linha, deixa de haver inovação. A formatação tomou conta do clima. O que aparentemente parece muito organizado é devastador para a empresa ou departamento. Comportamentos formatados, na linha, são sinónimos de não participação, falta de colaboração, ideias, opiniões, sugestões. Falta de liderança, de inovação. Se está tudo na linha, o que impera são as regras, a burocracia, a hierarquia, o estatuto.

Se trabalha numa empresa de «Tudo na linha» e que «mete tudo na linha», pense em sair, em sair da linha, porque a linha é a morte a prazo. A vida não é uma linha, o trabalho não é uma linha, o mercado não é uma linha. Estar na linha é antinatura, é amorfo.
Saia da linha e viva, porque há muita vida para lá da... linha.

Máximas decadentes II

«PÕE-TE NO TEU LUGAR»
«Mete-te no teu trabalho»

Outra expressão fantástica é o «Põe-te no teu lugar», convidando à quietude da actividade, da rotina. A expressão carrega também uma componente de ameaça. O «Põe-te no teu lugar» ou o «Mete-te no teu trabalho» representa o fardo da limitação do «faz isso e só isso e não te metas no que não és chamado». Portanto, fica quietinho, não participes, não colabores.

Esta expressão tem o MEDO trespassado. Medo de perder, de não ser capaz, de haver algo melhor, medo da diversidade, de ideias novas. Estas duas frases não são exclusivas de chefes, são ditas também por colegas medrosos, muito cientes do seu lugar e da sua tarefa, que não querem ver ameaçada. Pelo contrário, querem guardá-la, intacta, custe o que custar.

Se você trabalha numa empresa de «Põe-te no teu lugar»; «Mete-te no teu trabalho» e quer evoluir, tem ambição, gosta de aprender... então é melhor pensar em mudar de ares, porque aí só por milagre vai crescer. Está limitado pelos bunkers da tarefa e pelos compartimentos de serviço. Possivelmente, os departamentos são como áreas munidas de trincheiras funcionais muito compartimentadas.

Máximas decadentes I

«NÃO FOSTE PAGO PARA PENSAR...»
«'Tás aqui não é para pensar, é para fazer o que te mandam» / «Não foste pago para pensar»

Ouvi este tipo de frases vezes de mais. Não sei se muitas ou poucas, mas penso que as suficientes... Sempre vindas de... chefes. Mais: percebi também que há os que lembram oral e impantemente este princípio aos seus colaboradores, mas pior ainda é o número avassalador dos que pensam mas não dizem.

Sempre que ouvi estas frases pensei que o meu tempo na empresa estava contado. O poeta Robert Frost escreveu uma vez: «O cérebro é uma maravilhosa máquina, começa a funcionar logo de manhã, quando nos levantamos, e pára assim que chegamos ao trabalho»
Ou então outra de Henry Ford: «Porque é que cada vez que contrato dois braços para trabalhar, eles têm de vir agarrados a uma cabeça?»

O imperativo actual é o contrário deste princípio carcomido pelo tempo. Hoje deve contratar-se pessoas que pensem, opinem, digam ou que sentem e o que querem do e no trabalho. Inovação, criatividade, motivação, inspiração, empenho, interesse, performance, eficácia, auto-estima estão todas ligadas ao «Tu és pago para pensar e opinar».

Se ouvir dizer uma enormidade deste tipo, pense mudar de ares, pois pode estar condenado à tarefa diária, rotineira, repetitiva que o prejudicará no seu percurso profissional, nas suas competências, contagiando até a sua vida pessoal.