No mundo do trabalho, grande parte das organizações em Portugal acredita que as pessoas são motivadas pelo medo das consequências, pela punição. Parece ser de grande eficácia, pois assegura reacções imediatas e uma aparência de ordem e disciplina.
Problema... Uma organização com uma cultura baseada neste método tem os dias contados no nosso tempo.
O medo e a punição activam o que há de mais primário em nós: o cérebro reptiliano, dicotómico, chamado de «fight or flight» (ataque ou fuga). Desenvolvido durante milhões de anos, ele continua a dominar a nossa mente quando pressente o perigo e age em nome da sobrevivência. É brusco e agressivo, move-se pelo medo de consequências negativas, é rápido e sobrepõe-se ao cérebro mamífero e ao visual, que também possuímos e que se desenvolveram posteriormente.
A consequência da activação de comportamentos de sobrevivência provocados pelo medo é que leva à baixa produtividade no médio prazo, ausência de criatividade e de inovação. Uma organização que adopte tal formato para instigar os seus colaboradores à produtividade acaba por entrar num ciclo vicioso fatal que a conduzirá a uma morte lenta e subtil.
Colaboradores stressados, são propensos ao absentismo, ao desapego, ao «só faço o que me mandam», entregues a ideias de incerteza, ansiedade e insegurança.
Como se diz em inglês, «no stick = no action; to much stick = no passion»
