Harold Kushner, é importante que se saiba, sentiu-se sempre compelido a ajudar os outros e levou a sua vida a fazer o bem, a ser correcto e exemplar, de acordo com as normas culturais e as regras inquestionáveis escritas na Bíblia.
O certo é que se sentiu «castigado» por Deus quando o seu filho nasceu com uma doença chamada de progéria. Um envelhecimento precoce levou Aaron à morte logo na adolescência. E Kushner questionou-se porque teria sido escolhido para ser castigado? Para ele aprender alguma coisa sobre compaixão? Mas sacrificaria Deus uma criança em nome da aprendizagem de outros?... Haveria um Deus castigador?
E não contarei mais. Direi apenas que devorei as 174 páginas em dois dias. O fenómeno é simples, tanto quanto a pergunta do próprio título... Afinal toda a gente se interroga porque é que as pessoas boas são castigadas, têm azares ou lhes acontecem coisas inacreditáveis, enquanto os «ímpios» parecem sair muitas vezes incólumes da odisseia da vida? A Bíblia fala dos justos e dos ímpios como se houvesse um desígnio que estivesse determinado para cada um, mas na verdade sentimos que o sofrimento é distribuído de forma… injusta.
Será que Deus escolhe os pobres para sofrer? E porque são os pobres pobres? E porque é que Deus decide quem tem… azar ou… sorte, sendo que cidadãos exemplares são sujeitos às mais duras provações e privações? Deus afinal é justo ou tem falhas de avaliação?
Bom, Kushner desvenda todas as explicações num ritmo alucinante de escrita sublime, simples e objectiva. Depois, a força do seu texto brota das suas palavras sentidas, de quem viveu um sofrimento atroz e passou o tempo a desvendar o seu significado.
Uma obra imperdível, diferente e que questiona as regras e os princípios instituídos com uma clareza e uma elegância ímpares. Impossível ficar indiferente.
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