Do que precisamos é de Cobradores
não de Pedagogos...
Li uma notícia no tablóide português «Correio da Manhã» que titulava logo na primeira página «Multas de trânsito caem para metade». O jornal avança que «Estado perde 28 milhões de euros com redução» e «Polícias optam pela pedagogia»
O que parece uma boa notícia, que é estatisticamente uma melhoria do comportamento dos condutores na estrada, afinal é má. Portanto, o lucro do Estado vem da falta de civismo dos condutores. Se estes melhoram perde dinheiro.
Ora muito bem, o Estado atribui a este fenómeno não a melhoria de comportamento dos condutores ou a menor taxa de circulação automóvel, mas sim à desmotivação da polícia. É uma espécie de «se procurassem bem, encontrariam alguma razão para multar...».
Num dos destaques da página interior o jornal acrescenta: «Orçamento sofre: as entidades autuantes "têm direito a 20% do valor das multas" rodoviárias. Com a redução das receitas, as instituições também sofrem cortes no orçamento.» E é referido que o «ano de 2011 vai ser ainda pior». Por seu lado, José Alho, da Associação Socioprofissional Independente da Guarda, informa que «Têm tentado combater a quebra nas multas com operações stop, mas nem isso tem resultado. O pessoal anda desmotivado.»
Em vez de se lamentar, porque não aproveita o Governo para apregoar à Europa que os portugueses são agora um exemplo na estrada?... Não é o que fazem no ensino?? De um ano para outro os jovens passam de médias miseráveis a matemática para performances espectaculares. Hummm.
No caso das multas, até se percebe, se calhar troçariam de nós. População cívica não dá lucro. Cumprir o código da estrada gera prejuízo. A Polícia lá vai fazendo operações stop, mas nada, as pessoas portam-se bem! Assim realmente não dá. A organização policial anda a falhar na capacidade de invenção para criar transgressões. Desmotivada, opta então por uma acção pedagógica. Há falta de criatividade... A função da Polícia está esvaziada. A pedagogia não gera retorno.
O que me ocorre dizer mais sobre esta notícia estranha?... Precisamos de cobradores nas estradas, não de pedagogos. Ou então, em vez da multa por transgressão, podia começar-se a pagar a lição de pedagogia. Seria uma boa alternativa para gerar receita.
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