As empresas podem ser caracterizadas de muitas formas. Mas a minha preferida resume-se a quatro estádios: Pessoas; Inovação; Regras; Mercado (traduzidos em quadrantes: Collaborate, Create, Control, Compete, respectivamente).
Com um diagnóstico simples fica a organização caracterizada, de forma a definir-se o caminho. O mais conveniente para o negócio e para equipas.
Pessoas – Normalmente empresas recém-criadas ou com uma política muito virada para o capital humano. Caracteriza-se por uma forte componente humana em que à frente estão valores como a satisfação, potencial, aprendizagem, flexibilidade e na colaboração.
Inovação – Empresas de base tecnológica, muito direccionada para a satisfação dos clientes, do mercado e, por isso mesmo, dos colaboradores. Beneficiam as ideias novas, o capital intelectual, o saber, o conhecimento, o interesse, a flexibilidade. São essencialmente criadoras. Repudiam a burocracia e todas as formas que criam fronteiras.
Regras – Por regra, são empresas antigas e que se cristalizaram em procedimentos e trâmites. Assentam muito na chefia, na autoridade, na burocracia, na directiva, no controlo. Rejeitam a criatividade, a flexibilidade. São, antes, territoriais e concentram o poder decisório num indivíduo.
Mercado – Empresas direccionadas para as vendas, a facturação e a cobrança. O que conta é a quantidade e por isso mesmo exercem pressão nos colaboradores para venderem o mais possível. Fomentam a competição desenfreada entre colaboradores. São muito susceptíveis a rivalidades e esgotam a força de vendas. Inovação e pessoas são atributos apenas toleráveis se tiverem um resultado imediato na venda.
Este diagnóstico de clima caracteriza a empresa no seu todo e por departamento e abrange as vertentes da liderança, da motivação e do desempenho. Fica-se com uma excelente percepção da «situação actual». Depois é operar as mudanças necessárias para iniciar o trajecto para o «situação desejada».
O sucesso começa quando se toma consciência do momento actual… Mas nem todos, quando confrontados com o que devem fazer, estão preparados para uma mudança. Porquê? Porque a mudança vem de dentro. E se um indivíduo é muito autoritário, muito dificilmente vai delegar e ceder território. O caminho aqui é submeter-se a um processo de coaching.
domingo, 19 de agosto de 2012
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
A força esmagadora da aparência
A força da aparência tomou proporções que desregularam as sociedades de hoje. Camuflar, fintar, mentir, enganar tornaram-se as principais ferramentas da vivência social. O resultado está à vista de todos. O equilíbrio de forças terá de voltar. A propósito deste tema, permito-me publicar um texto escrito pela minha mãe há cerca de dois anos, num momento de inspiração e de desabafo:
«Não raro é acontecer que, no meio de um cenário desolador de minas e detritos, surja por vezes algo que nos chama a atenção, precisamente por destoar da paisagem que observamos. Por exemplo, um pássaro de várias cores e lindos trinados, uma flor que teima mostrar-se no auge da sua beleza ou, quem sabe, uma frase muito bela num pedaço de parede. Então, só por estes elementos valeu a pena passar por ali e talvez sintamos coragem e força para começar de novo.
Hoje, os sentimentos nobres deviam, se tal fosse possível, fazer parte do património de um museu... Porque o que nos é dado ver é que quando alguém nos sorri, ou já nos pregou alguma partida ou então vai fazê-lo. Não restam dúvidas que vivemos na época do pechisbeque. O que importa é mesmo dar a impressão de ser o que não somos, e quanto melhor soubermos mascarar o nosso carácter maior será o êxito. Sendo assim, quando nos surge alguém pela frente que é honesto, há tendência para duvidar e então pensamos: ou a sua camuflagem é perfeita, o que nos põe em desvantagem, ou, pior ainda, se for autêntica, torna-se um perigo, porque talvez ele seja o tal pássaro ou a tal flor ou a tal frase, que fica de tal maneira em destaque, que faz ofuscar o cenário à sua volta. E aí depende muito da sensibilidade de quem o observa: ou o admira ou o destrói.
Laura Dias»
domingo, 5 de agosto de 2012
Ser igual ou ser diferente?
«A verdade é que sem mudanças radicais na política, na Justiça e na Economia, a nossa Pátria continuará a definhar na mediocridade imposta pelos seus líderes e jamais será ressarcida do prejuízo que este lhe causaram»
São palavras de Marco Dias, autor de uma obra soberba sobre a realidade portuguesa, Eles São Todos Iguais! E eu? Sou Diferente? O cidadão Marco assume a sua posição, expõe-se, compromete-se e aponta caminhos para uma realidade melhor. A sua experiência de trabalho como auditor financeiro, por conta de outrem e como empresário dão-lhe a legitimidade para escrever sobre os temas. Temas que parecem complexos mas que Marco desmonta com a maior das simplicidades.
Casos reais, de crime, de fraude, de impunidade, são descritos ao longo do livro. Reflexões fortes e provocativas que colocam o leitor num entusiasmo crescente. A escrita é directa e objectiva e facilmente o leitor como que conversa com o livro, como se o autor estivesse presente.
O que vai encontrar nesta obra é tão-só um estrutura perfeita da Situação Actual e um caminho para a Situação Desejada. Em primeiro, ponto da situação do sistema em que vivemos, podre, burocrático, ineficaz, fraudulento, conivente com o crime, com exemplos concretos. Em segundo, as soluções, os caminhos a seguir, propostas concretas.
O alicerce de toda a obra é a iniciativa, a conduta, os valores morais e éticos e o sentido de missão. O autor Marco Dias é também um marco em iniciativa, um activista, um homem do terreno, um moderado a procurar soluções... Para que um dia tenhamos orgulho neste país moralmente empobrecido que é Portugal.
Obrigatória, a obra está disponível em www.100editora.net
terça-feira, 31 de julho de 2012
Find your true North
by Bill George e Peter Sims
Throughout the book, Bill and Sims tell us how to practice an authentic leadership. But, instead of mentioning only theories and studies, they talk about real situations in real life. With Interviews, stories, examples of companies and leaders, the authors can prove that the future of leadership is changing.
About title’s book, True North means many people, when in leadership positions, lose their north, meaning of life, sense of purpose, feeling of joy. After a period of struggle, some leaders find again their purpose, their values and their mission. After all, they find their true north. This is a must-read book.
Leadership is not position and status. Is something
whom purpose is beyond of the leader as individual
domingo, 15 de julho de 2012
O cinismo da austeridade
Sociedade da Austeridade é um excelente, discreto e imperdível livro de António Casimiro Ferreira, sociólogo e professor doutorado por Coimbra. Ao longo das 136 páginas, o autor desmonta a falácia da austeridade, explicando basicamente como esta tem as costas largas para justificar a delapidação social e laboral que está a ser operada neste momento.
O medo; a insegurança e a incerteza; e a dicotomia entre o poder dos não-eleitos e dos eleitos, são os três factores que constituem a espinha dorsal da argumentação neste livro.
O cunho científico misturado com alguma argumentação vinda de fontes mais informais, como jornais e revistas e cidadãos comuns, dão-nos a dimensão da destruição criminosa que está a ser feita nas sociedades actuais, muito concretamente em Portugal. A Justiça, o trabalho, a política, os discursos, a manipulação. Tudo para que as massas acreditem que são responsáveis pela crise, aliás, que são culpados, que devem fazer sacrifícios, que têm que empobrecer, não há alternativa, mudar as condições de trabalho e por aí fora. A ciência, porém, diz o contrário, que estes métodos não resolvem nada, apenas servem interesses.
Em Sociedade da Austeridade, o enfoque principal é nas condições de trabalho, nas relações laborais e na lei. Um livro obrigatório, da editora Vida Económica, pela sua objectividade e rigor. Pouco mais de 10 euros para um bom pedaço de conhecimento.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
O retorno do Fascismo
Uma excelente obra do filósofo holandês Rob Riemen, sob o título O Eterno Retorno do Fascismo, da Bizâncio, alerta para este monstro não aniquilado. Baseando o seu texto em reflexões de outros pensadores, como Camus, Thonmas Mann e Nietzsche, este pequeno livro com apenas 78 páginas é uma obra de arte da consciência.
O Fascismo está vivo, nunca morreu. Esteve latente todos estes anos e está agora a despontar com uma nova roupagem. Claro que «os fascistas não são estúpidos e são mestres na arte da mentira», sabem iludir com palavras bonitas e expressões cândidas. O fascismo «assumirá diferentes formas em diferentes países porque o seu credo não assenta em ideias nem num único valor universal». Apenas proclama frases empolgantes com conceitos como «igualdade», «equidade», «justiça», «patriotismo», proferidas por «demagogos e charlatães que usam os 'mass media' para cultivar a crença que um determinado político, que pretende ser contra a política, é a única pessoa capaz de salvar o país».
Rieman sustenta a sua reflexão invocando figuras históricas, como Mussolini e Hitler; com factos, como as Grandes Guerras mundiais; e instituições «fábricas de morte», como o Nazismo, a Igreja, etc.
Um livro muito objectivo, que se lê num par de horas e se fica a conhecer algo mais sobre os acontecimentos actuais a que chamam de «crise». Um agitador de consciências, que não agrada a muitas delas por lhes tocar no negócio que é a manipulação instituída, mascarada de democracia.
O Fascismo está vivo, nunca morreu. Esteve latente todos estes anos e está agora a despontar com uma nova roupagem. Claro que «os fascistas não são estúpidos e são mestres na arte da mentira», sabem iludir com palavras bonitas e expressões cândidas. O fascismo «assumirá diferentes formas em diferentes países porque o seu credo não assenta em ideias nem num único valor universal». Apenas proclama frases empolgantes com conceitos como «igualdade», «equidade», «justiça», «patriotismo», proferidas por «demagogos e charlatães que usam os 'mass media' para cultivar a crença que um determinado político, que pretende ser contra a política, é a única pessoa capaz de salvar o país».
Rieman sustenta a sua reflexão invocando figuras históricas, como Mussolini e Hitler; com factos, como as Grandes Guerras mundiais; e instituições «fábricas de morte», como o Nazismo, a Igreja, etc.
Um livro muito objectivo, que se lê num par de horas e se fica a conhecer algo mais sobre os acontecimentos actuais a que chamam de «crise». Um agitador de consciências, que não agrada a muitas delas por lhes tocar no negócio que é a manipulação instituída, mascarada de democracia.
sexta-feira, 29 de junho de 2012
LOYALTY went bankrupt. Remains TRUST
I couldn't help publish this Lynda Gratton's piece of text. Sou true. Before, we could count with loyalty and trust, today we have a monogamic system. There's a great gap between people and organizations. Enjoy:
«Loyalty is dead – killed off slowly through shortening contracts, outsourcing, automation and multiple careers. Faced with what could be 50 years of work – who honestly wants to spend that much time with one company? Serial monogamy is the order of the day. But whilst loyalty is dead... long live trust.
Trust is core to the relationship between the employer and employee – without it relationships become simply transactions and work is mired and slowed through continuous checks and monitoring. CEO’s may not believe their executives to be loyal in the sense that they will be with them indefinitely – but they have to believe they are trustworthy. Trust is one of the most precious organisational assets – slow to build and quick to be destroyed. The precursor to trust is fairness, justice and dignity – demonstrated in how processes operate and how people are treated when the going gets tough. I believe that in the future it’s not that we humans will become any less emotional at work – but rather that the nature of our emotions will change. Take loyalty for example.
The argument I am making is that loyalty plays an ever less significant role in organisational life. However, it’s not that this has disappeared – but rather than it has been replaced with another human emotion – that of justice and fairness, which by the way, is hard to create and indeed to sustain.»
«Loyalty is dead – killed off slowly through shortening contracts, outsourcing, automation and multiple careers. Faced with what could be 50 years of work – who honestly wants to spend that much time with one company? Serial monogamy is the order of the day. But whilst loyalty is dead... long live trust.
Loyalty is about the future – Trust is about the present.
Trust is core to the relationship between the employer and employee – without it relationships become simply transactions and work is mired and slowed through continuous checks and monitoring. CEO’s may not believe their executives to be loyal in the sense that they will be with them indefinitely – but they have to believe they are trustworthy. Trust is one of the most precious organisational assets – slow to build and quick to be destroyed. The precursor to trust is fairness, justice and dignity – demonstrated in how processes operate and how people are treated when the going gets tough. I believe that in the future it’s not that we humans will become any less emotional at work – but rather that the nature of our emotions will change. Take loyalty for example.
The argument I am making is that loyalty plays an ever less significant role in organisational life. However, it’s not that this has disappeared – but rather than it has been replaced with another human emotion – that of justice and fairness, which by the way, is hard to create and indeed to sustain.»
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