Deborah Cameron é professora de Linguagem e Comunicação na Universidade de Oxford, Reino Unido. Numa entrevista à revista alemã Business Spotlight de Março/Abril de 2009, Cameron fala do seu livro The Myth of Mars and Venus. E aproveita para arrasar a moda de quem escreve sobre as diferenças de comunicação entre homens e mulheres. Especialmente quando falou ao Sunday Times sobre o autor de Homens São de Marte, Mulheres São de Vénus, John Gray: «Receio que John Gray tenha vindo de Úrano. É muito aborrecido que pessoas como ele facturem milhões à conta de publicarem só disparates».
1 – Há muitas diferenças na forma de comunicar entre homens e mulheres
2 – As mulheres falam mais do que os homens
3 – As mulheres são melhores comunicadoras
4 – Os homens falam sobre coisas, as mulheres sobre pessoas
5 – As diferenças na comunicação provocam conflitos
6 – As diferenças do estilo são determinações biológicas, não educacionais, nem natas.
Agora o ataque de Cameron (na foto) aos «disparates»:
1 – A única prova científica da diferença de comunicar é que as mulheres têm tendência para sorrir mais e soletrar melhor. O resto é semelhante.
3 – Outro erro de gestão. Como as mulheres têm fama de serem melhores comunicadoras, em certas entrevistas de emprego funciona como estereótipo. A discriminação acontece porque os homens têm de provar as suas skills para conseguirem o emprego enquanto para as mulheres é assumido que já as têm. São tendências perigosas.
5 – Outra generalização infeliz nefasta à gestão: os conflitos são provocados por diferenças de género. Bom, o conflito pode só existir na «disputa» pelo poder e statu.
6 – As diferenças biológicas? Aparentemente, scans feitos ao cérebro provam que quando os homens falam usam o hemisfério esquerdo, as mulheres também parte do hemisfério direito. Apesar disso, Cameron afirma que não tem implicações na forma como homens e mulheres comunicam.
Conselho de Cameron: os estereótipos são perigosos. Normalmente, prestamos mais atenção ao que se liga à nossa expectativa, ignorando outros factores. A forma de compreendermos a diferença de formas de comunicar não é ignorar as diferenças mas analisar o que temos em comum. No fundo, desafiar os estereótipos.
Deborah Cameron tem um blogue controverso: http://bookblog.net/gender/genie.php
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