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| O gnu, um ícone da savana |
Os gnus são animais com uma capacidade de sobrevivência
extraordinária. Vivem em manadas numerosas e fazem longos trajectos,
resistindo às agruras do terreno e às ameaças da savana, face aos ataques de leões, hienas, cães
mabecos, crocodilos e leopardos. Reproduzem-se com facilidade e mantêm-se assim
como espécie, sem perigo de extinção.
Já fiz esta pergunta a muita gente:
«Se fosses um animal, gostarias
de ser um gnu?»
Todos, sem excepção, me responderam «não». Argumentei, apontei
as qualidades que têm, a resistência, a mobilidade... O certo é que
aparentemente ninguém se revê neste animal. Uns dizem que é feio, outros que um
boi-cavalo nem é boi nem é cavalo, outros ainda dizem não ter nada de especial
para ser inspirador...
Sem desdenhar da mãe-natureza e da sua diversidade, o
símbolo associado ao gnu parece ser uma espécie de mediocridade sustentada pelo
poder no número. Talvez por isso ninguém se identifique com o gnu, preferindo o leão, o
leopardo, a águia ou o tigre... Indivíduos com porte, uma identidade e uma
capacidade de acção e coragem sem igual. Porém, uma análise mais consciente leva-nos a crer que a
sociedade está mais identificada com o gnu do que quer. Age como gnu mas admira
o leão, o leopardo e a águia.
A finalizar, fazendo um paralelo, ser medíocre é uma competência de
sobrevivência. Os medíocres actuam sempre em grupo, concertados. Preferem ser
ninguém e viverem na redoma do medo. Detestam os indivíduos porque lhes invejam
a coragem de ser autênticos e únicos e desejam muito que não existam ou se
tornem rapidamente um elemento da manada.
Sei que se fosse um animal, não quereria ser gnu...
Mas conseguirá sentir mesmo como o animal que admira?...